16 de abril, 2007 - 09h47 GMT (06h47 Brasília)
Que Iraque que nada. O perigo ronda é a Grécia.
Autoridades britânicas e gregas, e até mesmo australianas (os australianos vivem se metendo onde não foram chamados) estão assustadíssimas com a possibilidade de que a final do torneio da Liga dos Campeões venha a se transformar numa peleja disputada (para usar de um eufemismo) por dois times ingleses.
E que times ingleses! O Manchester United e o Liverpool, uma espécie de Fla-Flu do futebol destas ilhas. Fla-Flu! Por certo, perdi o senso. Não, não. Uma espécie de xiitas versus sunitas do Reino Unido.
São ferrenhos inimigos mortais, já que o futebol é o esporte das multidões, as multidões são ignorantes e as redundâncias passam despercebidas, tanto pela geral quanto pela arquibancada e até mesmo a tribuna de honra.
A Uefa, entidade que regula, na medida do possível, essas coisas, o tal do futebol, como insistem em chamar, já está às voltas com o que chamam de “nightmare scenario”, que a maior parte dos brasileiros, talvez por viverem em sua maioria num pesadelo, preferem traduzir por “cenário pesadelo” e esta besta aqui que vos escreve insiste em chamar de “possibilidade pesadelo”.
A partida final está marcada para Atenas e deverá ter lugar mês que vem, maio. Três equipes inglesas estão no páreo. As já mencionadas mais a “equipa” do Chelsea, que assim poderíamos chamar, já que seu técnico é um português, o José Mourinho, que adora pegar uma manchete de jornal, insiste em propalar sua condição de figurinha difícil.
Como se chegará às vias do fato
Na semana passada, 3 times da chamada Premiership, ou Primeira Divisão, obtiveram essa distinção de chegar às semi e às finais.
Semana passada foi quando o pau rolou violentamente quando o Manchester United jogou com o Roma, já tendo rolado um pouquinho menos no primeiro jogo com os italianos, lá na terra deles, que muitos chamam de “Itália”. Pobre dos policiais que ficaram com o braço direito dolorido de tanto baixar o cacete em “fã exaltado”.
Torcedor do Manchester United, ou de 99% dos times ingleses, você pode cair de cassete na cuca que eles não sentem absolutamente nada. Aquele sangue inclusive é molho de tomate, conforme todos sabem.
O que não se pode negar, embora a Uefa e os atenienses bem que gostariam de negar, é que o Manchester United e o Liverpool contam com a mais truculenta legião de fãs deste e de muitos outros países.
Para dar um plá: quando, em 2005, o Liverpool ergueu a taça cheia de sangue – sangue de verdade – na pobre da cidade de Istambul, na Turquia, eram 35 mil o número de fãs, ou torcedores, que haviam feito a viagem desde lá os confins de Merseyside, pertinho de Manchester, até a pitoresca capital turca, que já foi Constantinopla, tendo mudado de nome para evitar pedreiro e torneiro-mecânico em férias ou viagem de recriação futebolística.
O pau comeu em 2005? Perguntem a macaco de dois anos atrás se quer banana.
300? 11?
Os atenienses, já com problemas para obter de volta os chamados frisos de mármore Elgin, que outros ingleses trouxeram para o Reino Unido, agora vão ter que rezar para que, na pior das hipóteses (ou “worst case scenario”, “pior cenário”, confere?), venha apenas uma equipe inglesa para disputar a renhida, renhidíssima contenda.
Em 2005, 35 mil “liverpudlians” (vamos chamar logo de “liverpudlianos”, que soa mal à beça) deram sua chegada à final em Istambul e, até agora, ainda não terminaram as obras de reconstrução da cidade e a recuperação dos cidadãos em estado de choque.
Teme-se mesmo, em caso de derrota “liverpudliana”, a auto-explosão em massa dos torcedores mais exaltados. Eu, se fosse turco, ficaria em casa no dia do jogo.
Vitória ou derrota, seja lá de quem for, e o Iraque em peso vai parar com essa bobagem de se “insurgir” para acompanhar o, para eles e muito fanático de boa cepa, jogaço nas telinhas de televisão.