17 de abril, 2007 - 09h03 GMT (06h03 Brasília)
Marina Wentzel
De Hong Kong
Uma exposição em Hong Kong conta a história dos brinquedos na China no século passado. A mostra itinerante é composta por peças do acervo do Most, Museum of Shanghai Toys, que apesar de ter a palavra Xangai no nome, fica localizado na Cingapura.
O Most foi fundado há dois anos, quando seu proprietário Marvin Chan abandonou a carreira de designer gráfico para se dedicar completamente ao hobby de colecionar e estudar brinquedos.
Atualmente o acervo conta com mais de 3 mil peças.
Em 18 anos de pesquisas, Chan conseguiu recolher relíquias como os bonequinhos feitos de palha e juta, típico da China imperial, e também muitas curiosidades dos tempos da revolução comunista e da Guerra Fria.
Entre os destaques da mostra está o boneco do general Chiang Kai Shek, líder das forças nacionalistas chinesas que foi derrotado por Mao Tsé Tung em 1949 e se exilou em Taiwan.
'Cult'
Os brinquedos com conteúdo político são os mais procurados pelos adultos. As peças da época da revolução cultural ganharam status "cult" e atraem muita atenção.
Bonequinhos com o uniforme do exército de libertação popular com o livrinho vermelho na mão são ícones desta época.
O livrinho continha dizeres de Mao Tsé Tung e foi leitura obrigatória nos anos da revolução cultural, de 1966 a 1976. Estes brinquedos eram utilizados para catequizar as crianças na ideologia comunista.
Há também peças curiosas, utilizadas para fazer propaganda de guerra, como no caso de uma bonequinha vestida de plantadora de arroz do Vietnã, que pisa em cima de um soldado americano.