14 de abril, 2007 - 13h46 GMT (10h46 Brasília)
Ao menos 150 mil pessoas participaram neste sábado de uma manifestação na capital da Turquia, Ancara, para pedir que a política e a religião permaneçam separadas.
A manifestação, que ocorre dois dias antes do início do processo de escolha do novo presidente, teria como objetivo pressionar o atual primeiro-ministro, Recip Tayyip Erdogan, de um partido islâmico, a não se lançar candidato.
Seus opositores o acusam de ter um projeto islâmico, o que ele nega.
A manifestação ocorreu em frente ao mausoléu do mais reverenciado líder do país, Kemal Ataturk, que fundou a República turca como um Estado secular.
Os manifestantes carregavam bandeiras nacionais e cartazes com fotos de Ataturk.
Ameaça do radicalismo
Recentemente aumentaram as especulações na Turquia de que o Partido Justiça e Desenvolvimento, de Erdogan, o indicaria como candidato a substituir o atual presidente, Ahmet Necdet Sezer, que deixa o cargo em maio.
Se indicado, Erdogan quase certamente seria escolhido pelo Parlamento, onde seu partido tem uma ampla maioria.
Sezer afirmou em um discurso na sexta-feira que a ameaça à Turquia do radicalismo islâmico é mais forte do que nunca.
Um correspondente da BBC na Turquia diz que o governo de Erdogan promoveu uma série de reformas democráticas durante seus cinco anos no poder, mas os críticos do primeiro-ministro citam as tentativas de criminalizar o adultério e de indicar um presidente do Banco Central muçulmano como sinais do suposto projeto islâmico de Erdogan.