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14 de abril, 2007 - 23h48 GMT (20h48 Brasília)

Bruno Garcez
De Washington

Brasil quer ser sócio pleno do Banco do Sul

O Brasil quer ingressar como sócio pleno no Banco do Sul, a instituição financeira sul-americana que deverá contar ainda com Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador.

A informação foi dada neste sábado em Washington, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que está na capital americana participando da Reunião de Primavera do Banco Mundial e do FMI.

Os grandes incentivadores do Banco do Sul têm sido o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o líder argentino, Néstor Kirchner. Os dois líderes já deixaram claro que a instituição seria uma alternativa sul-americana ao Banco Mundial ou ao FMI.

Segundo um alto funcionário do governo brasileiro, a adesão do Brasil à instituição só foi acordada após ter-se chegado à conclusão de que o processo de criação do órgão não seria politizado.

Discussões

Na sexta-feira, Mantega se reuniu na sede do Banco Mundial com representantes dos países sul-americanos e discutiu com eles as linhas gerais que o banco deverá adotar.

De acordo com o ministro, a instituição visa financiar o desenvolvimento regional e, na visão dele, deve estar ligada ao Mercosul. O ministro disse que foi discutida a hipótese de que o Banco do Sul possa atuar para combater os desequilíbrios orçamentários dos países que o integram.

Na definição de Mantega, o banco seria ''uma mistura de fundo monetário com banco de investimentos''.

Já foi relatado que o capital inical do banco seria de US$ 7 bilhões. Mas Mantega afirmou que ainda ''não foram mencionados recursos'' e nem as quotas relativas a cada país que devem integrar a instituição.

Mal entendido

Segundo Mantega, para que o Brasil ingresse formalmente no órgão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de receber um convite formal e assinar um termo de adesão.

O procedimento é necessário, segundo ele, porque houve um ''mal-entendido'', quando se falou pela primeira vez na criação do órgão, que foi a ''manifestação unilateral da Venezuela e da Argentina'', que firmaram um termo de compromisso para a criação da instituição.

De acordo com Mantega, é preciso ''rasgar'' o termo de compromisso estipulado anteriormente e firmar um novo, que inclua os demais países interessados, como Brasil, Bolívia e Equador.

''A idéia é que não seja nem um banco venezuelano nem um banco brasileiro. Temos de estar com todos os países em pé de igualdade. O que inviabiliza colocar quantias muito elevadas, porque alguns, como Brasil e Venezuela, contam com mais recursos que outros'', completou.