13 de abril, 2007 - 23h17 GMT (20h17 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse em Washington nesta sexta-feira que é ''preciso ver se (o diretor do Banco Mundial) Wolfowitz ainda tem as condições morais para continuar exercendo seu cargo''.
O ministro, que está na capital americana para a Reunião de Primavera do FMI e do Banco Mundial, se referia às alegações de que o presidente do Bird, Paul Wolfowitz, auxiliou sua namorada, que também trabalhava na instituição, ao dar-lhe uma promoção.
Mas Mantega afirmou que não cabe a ele julgar isso. ''Prefiro não entrar nessa questão, porque é uma questão quase de foro íntimo''. Ele acrescentou que é preciso esperar os avanços das investigações para saber se as acusações contra Wolfowitz têm ou não fundamento.
O ministro da Fazenda afirmou que não se deve deixar que o escândalo ofusque os temas discutidos na reunião em Washington.
''Não se pode desviar das questões relativas à Reunião de Primavera, das questões relevantes ao Banco Mundial, independentemente de ele (Wolfowitz) ser mantido ou não.''
Decisão rápida
A diretoria do Bando Mundial disse que tomará uma decisão rápida a respeito do futuro de Wolfowitz.
O chefe do Bird está sofrendo forte pressão para renunciar após ter admitido que ajudou sua namorada, Shaha Riza, com uma promoção e um aumento salarial, após ter assumido a presidência do órgão, há dois anos.
Pelas regras da instituição, ela não poderia ser subordinada de Wolfowitz, uma vez que isso caracterizaria conflito de interesses.
O presidente do Bird disse que a decisão de transferir Shaha Riza e de promovê-la se foi justamente uma forma de acatar as regras do Banco Mundial.
A Associação de Funcionários do Banco Mundial pediu a renúncia de Wolfowitz e a diretoria do órgão fez críticas à sua atuação no episódio. A Casa Branca, no entanto, manifestou seu apoio e disse que o presidente americano, George W. Bush, tem plena confiança em Wolfowitz.