11 de abril, 2007 - 17h51 GMT (14h51 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que a economia do Brasil está no "caminho certo", mas acrescenta que há motivos para "receios estruturais".
Charles Collyns, vice-diretor do Departamento de Pesquisa do fundo, disse à BBC Brasil que, para o país obter um crescimento econômico semelhante ao dos vizinhos sul-americanos, o Brasil precisa reduzir sua taxa de juros, cortar gastos públicos, reduzir burocracia e investir em infra-estrutura.
"Nós achamos que o Brasil está no rumo certo. O país estabeleceu uma base macroeconômica muito sólida. Está com inflação baixa, permitindo ao Banco Central baixar suas taxas de juros, mas estas ainda são muito altas", afirmou, após a apresentação do relatório Panorama Econômico Mundial, divulgado pelo órgão nesta quarta-feira.
O FMI estima que a economia brasileira vai crescer 4,4% neste ano e 4,2% em 2008, segundo dados que constam do relatório Panorama Econômico Mundial.
Sem razão
Collyns acrescentou que o FMI julga "que existirá, com o tempo, espaço para que o Banco Central reduza os juros. E isso vai possibilitar um crescimento mais rápido. Não há razão para que o Brasil tenha uma taxa de juros mais elevada do que a de seus vizinhos."
Mas o vice-diretor do fundo comentou que o FMI vê "motivo para preocupações estruturais" que impedem um crescimento mais rápido da economia do país.
"Os gastos públicos permanecem altos no Brasil, e isso exige impostos muito elevados. É um desestímulo ao investimento no Brasil. Mas o governo está ciente disso e está procurando atuar nesse sentido."
Collyns também que diz acreditar que "uma das tarefas-chave para o governo é aprimorar a estrutura tarifária, possibilitando uma reforma do setor e, no futuro, a redução de impostos".
Outros setores que o país deve atacar em breve são, em seu entender, "o aprimoramento do ambiente de negócios do país e investimentos em infra-estrutura, especialmente em rodovias e comunicações, que são setores que atravancam o crescimento econômico".
Otimismo
Para o vice-diretor do fundo, o fato de a estimativa de crescimento do Brasil estar aquém da que o FMI prevê para os vizinhos brasileiros em 2007 não é algo preocupante.
"Estamos otimistas que o Brasil vai aumentar seu crescimento de forma sustentável. Mas demora para que essas reformas sejam implementadas. O governo está ciente de que é preciso atuar em diversas áreas."
Ao menos em uma delas, avalia Collyns, não compete ao Brasil agir, mas sim a seus parceiros comerciais: as tarifas cobradas por europeus e americanos sobre biocombustíveis importados e o protecionismo que estes oferecem aos setores agrícolas.
"Haverá mais potencial para crescimento no setor agrícola brasileiro se as tarifas cobradas por Estados Unidos e a União Européia sobre biocombustíveis e produtos agrícolas forem reduzidas. Ambas as partes teriam muito a ganhar com a redução."