10 de abril, 2007 - 11h58 GMT (08h58 Brasília)
Marina Wentzel
de Hong Kong
O Partido Comunista Chinês expulsou um membro veterano por ter desrespeitado a política de natalidade nacional, que prevê apenas um filho por casal.
O caso ocorreu na cidade de Yulin, na província de Shaanxi, noroeste da China, em dezembro passado, mas só veio a público agora.
Qin Huaiwen, de 49 anos, é diretor do Departamento de Obras da cidade e tem três filhas com a esposa, além de um casal de filhos com a amante, segundo a agência de notícias Xinhua.
Oficialmente, apenas as duas primeiras filhas do casamento estavam registradas. A terceira filha passava por sobrinha. Nos documentos dela constava que era filha da irmã da esposa de Qin.
A irregularidade só veio à tona por causa das reclamações da amante. A namorada, quase 20 anos mais nova que ele, se queixou em público da falta de apoio financeiro.
O funcionário chinês negou inicialmente que fosse pai das crianças, mas um exame de DNA comprovou a paternidade da menina de sete anos e do menino de cinco.
Qin foi expulso não apenas por desrespeitar a política de natalidade, mas também por dar mau exemplo ao cometer adultério.
O comitê disciplinar do partido sugeriu que ele fosse proibido de exercer atividades públicas e enfrentasse punições mais severas.
Mas apesar da forte retórica do partido comunista, Qin segue trabalhando no Departamento de Obras da cidade, revelou o jornal South China Morning Post.
Filho único
A política do filho único está em vigor desde o fim dos anos 70 na China.
Autoridades estimam que ela tenha ajudado a conter a explosão demográfica do país evitando mais de 400 milhões de nascimentos.
Mas ativistas de direitos humanos criticam a lei, pois é comum o aborto de bebês do sexo feminino nas áreas rurais.
Segundo a tradição, o filho homem é responsável por cuidar dos pais na terceira idade. Por isso, ter um menino é sinônimo de aposentadoria na China.
O governo reconhece o problema e vem tomando providências.
Nos últimos tempos, foi proibida a realização de exames pré-natais para estabelecer o sexo do bebê e casais com apenas uma filha ganharam o direito a tentar uma segunda gravidez.
Além isso, pais idosos com duas filhas mulheres passaram a receber pensão do Estado.
Atualmente a população da China é de 1,3 bilhão de pessoas.
Estatísticas oficiais prevêem que em 2033 este número chegará a 1,5 bilhão, atingindo o auge da expansão populacional, e que a partir de então ocorrerá um declínio.