09 de abril, 2007 - 15h57 GMT (12h57 Brasília)
Centenas de milhares de iraquianos, a maioria da comunidade xiita do sul do Iraque, saíram em protesto contra a presença no país de tropas estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos nesta terça-feira, dia que marca o quarto aniversário da queda do regime de Saddam Hussein.
Agitando bandeiras iraquianas e entoando palavras de ordem contra a presença das tropas americanas no país, os manifestantes caminharam de Kufa até Najaf atendendo a uma convocação do clérigo xiita Moqtada al-Sadr.
Apesar dos ânimos exaltados e das cenas de bandeiras americanas queimadas pelos manifestantes, o protesto transcorreu sem relatos de violência.
Um parlamentar iraquiano entrevistado pelo canal de televisão árabe Al-Jazeera e identificado como "uma alta autoridade do movimento de Al-Sadr", disse que "a manifestação é uma resposta ao chamado por dignidade e paz e ao chamado de resistência".
Segundo Nassar al-Rubayi, "nos últimos quatro anos, o Iraque sofreu com a falta de serviços e soberania e teve centenas de milhares de mártires, centenas de milhares de feridos e centenas de milhares de detidos".
"São realizadas buscas diárias em casas de iraquianos e flagrantes de violações dos direitos humanos", disse o parlamentar.
"Estas massas querem a independência do Iraque, uma independência verdadeira, não no papel, e querem a soberania do Iraque, uma soberania verdadeira", acrescentou.
Queda da estátua
Os Estados Unidos consideram Al-Sadr e sua milícia, o Exército Mehdi, um dos maiores perigos existentes atualmente no Iraque e acusam a organização de ser uma das principais responsáveis pelos conflitos sectários do último ano.
Milhares de pessoas atenderam o pedido feito por Al-Sadr e lotaram ônibus e carros rumo a Najaf, localizada a 160 km de Bagdá.
Centenas de veículos ocuparam a estrada que liga as duas cidades, a maioria deles com bandeiras iraquianas balançando do lado de fora das janelas.
A data 9 de abril de 2003 é lembrada como o dia em que a imensa estátua do ex-presidente iraquiano, Saddam Hussein, foi derrubada na capital Bagdá.
Naquela época, muitos iraquianos comemoraram a chegada das tropas americanas na cidade e ajudaram os soldados a colocar abaixo o monumento, o que simbolizou o fim do regime de Saddam.
Trânsito suspenso
Quatro anos depois, o trânsito de carros em Bagdá foi proibido durante 24 horas, para evitar explosões de carros-bomba, e as autoridades decidiram implementar um feriado para tentar reduzir o risco de ataques insurgentes.
"Isto não é uma medida prudente do Estado, que sabe muito bem que este dia vai testemunhar protestos populares", disse Al-Rubayi.
Há dois meses, as forças americanas e iraquianas implementaram um plano de segurança na capital para tentar diminuir a violência, o que fez com que o Exército Mehdi diminuísse os ataques e Al-Sadr desaparecesse do centro das atenções.
Há rumores de que ele teria fugido para o vizinho Irã, mas assessores do clérigo afirmam que ele nunca deixou o Iraque.
Na opinião de analistas, a convocação de Al-Sadr para que seus seguidores se reúnam em Najaf, onde ele mantém sua base, pode ser um sinal de que ele esteja preparando seu retorno.