06 de abril, 2007 - 15h47 GMT (12h47 Brasília)
Jonathan Fildes
Um criador de software de 58 anos deverá se tornar o quinto turista espacial quando sua nave - uma Soyuz russa - for lançada do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, no sábado.
O bilionário Charles Simonyi, nascido na Hungria, liderou o desenvolvimento do programa Word da Microsoft.
A "passagem" custou US$ 20 milhões e fará com que Simonyi seja a 450ª pessoa em órbita e, como ele mesmo diz, será "o primeiro nerd a ir ao espaço".
Com dois cosmonautas profissionais, Simonyi está fazendo os últimos preparativos para a aventura em uma unidade de quarentena em Baikonur.
"Há realmente duas razões para o isolamento", Simonyi disse à BBC.
"A razão prática é que ele não fique doente. A outra razão é, talvez, psicológica - ajuda a concentrar nas tarefas a serem feitas."
Controle vital
Os preparativos de Simonyi começaram há seis meses, quando ele começou a treinar para o vôo no Centro de Treinamento para Cosmonautas Yuri Gagarin, em Star City, na Rússia, e no Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.
Desde então, ele passou por um intenso programa de condicionamento físico, inclusive exames médicos rigorosos, para se preparar para o período de oito minutos na jornada em que a nave escapa da atmosfera da Terra e para sua permanência na Estação Espacial Internacional (EEI).
Levará dois dias para que Simonyi e os dois tripulantes russos - Fyodor Yurchikin e Oleg Kotov - cheguem à EEI.
O turista espacial vai passar dez dias à bordo da estação, completando 200 órbitas em torno da Terra e cobrindo 8 milhões de quilômetros no processo.
A volta à Terra, levará duas horas, e está marcada para 20 de abril.
Embora Simonyi esteja apenas a passeio no vôo, ele vai ter um papel a desempenhar.
"Há umas poucas válvulas do meu lado da nave espacial que não são críticas para o vôo mas se elas não forem manipuladas a situação pode ficar delicada", afirmou.
As válvulas, situadas no lado direito do módulo da Soyuz, controlam o ar condicionado e o suprimento de oxigênio.
"Você pode achar que é muito importante mas há uma grande quantidade de oxigênio na cabine", explicou.
A prioridade de Simonyi, contudo, é garantir que ele não seja um peso para os tripulantes profissionais.
"Meu principal papel é cuidar de mim mesmo e do meu traje espacial. Eu tenho que vestir luvas, fechar e abrir o visor, manipular a válvula e verificar a pressão", afirmou o turista espacial.
Tradições espaciais
Uma vez na EEI, Simonyi vai realizar uma série de experiências, inclusive medindo a quantidade de radiação a que estiver exposto quando na estação.
O objetivo é ajudar a criar um mapa preciso da radiação à bordo da estação espacial.
Ele também vai atualizar sua website, charlesinspace.com, e reservar tempo para observar a Terra do espaço.
O especialista em informática nascido na Hungria já fez trainamento em uma cadeira giratória, dormiu com os pés cada vez mais elevados todas as noites para aprender a suportar falta de gravidade.
A viagem de Simonyi foi arranjada pela agência sediada nos Estados Unidos US-based Space Adventures.
A companhia enviou ao espaço anteriormente quatro turistas espaciais.
Em 2001, o empresário americano Dennis Tito se tornou o primeiro passageiro privado a ir para o espaço. Ele foi seguido do sul-africano Mark Shuttleworth, em 2002 e do americano Greg Olsen, em 2005.
Uma empresária americana de origem iraniana, Anousheh Ansari, foi a primeira mulher nessa condição, e viajou em 2006.
"Toda a vez em que alguém voa, fica provado que há um mercado para isto", afirmou Eric Anderson, co-fundador de Space Adventures.
Assim como viagens para a EEI, a empresa de Anderson pretende desenvolver veículos suborbitais para vôos turísticos e ser a primeira a completar uma viagem a passeio pelo lado escuro da Lua.