06 de abril, 2007 - 15h30 GMT (12h30 Brasília)
Os marinheiros britânicos que retornaram ao seu país depois de terem sido presos e detidos por quase duas semanas no Irã, disseram hoje que sofreram maus tratos nas mãos de seus captores e que foram obrigados a admitir que tinham sido capturados em águas iranianas.
Em sua primeira entrevista coletiva na Grã-Bretanha desde o seu retorno, eles contaram que foram vendados e mantidos em isolamento durante os 13 dias em que foram mantidos presos.
Eles disseram ainda que foram submetidos a interrogatórios agressivos e à constante pressão psicológica.
O grupo disse que estava em águas iraquianas quando foi capturado, mas que foi pressionado a admitir que estava em águas iranianas, caso não quisesse correr o risco de passar sete anos na cadeia.
Resistência
O capitão Chris Air disse que a opção de resisitir ou se opor aos captores "não houve".
"Se tivéssemos (feito oposição), alguns de nós não estariam aqui agora", disse ele.
"Tomamos a decisão consciente de não enfrentar os iranianos e de fazer o que eles pediam".
Os marinheiros disseram que passaram noites em celas de pedra, dormindo sobre pilhas de lençóis e mantidos isolados até as últimas noites.
Eles também foram colocados de costas para a parede enquanto ouviam armas sendo engatilhadas, o que os fazia "temer pelo pior".
Antes da entrevista, o chefe da Marinha britânica, almirante Jonathan Band, defendeu a atuação de seus soldados, disseram que eles "reagiram bem sob circunstâncias bastante difíceis".
"Acho que eles agiram com dignidade e coragem", disse ele à BBC.
Já o general Michael Gray, ex-comandante do 1º Batalhão de Paraquedistas, disse ao jornal Daily Mail que a situação era "vergonhosa".
Os marinheiros apareceram na TV iraniana dizendo que teriam invadido águas iranianas, o que vinha sendo negado veementemente pelo governo britânico.
Band disse que as operações realizadas no Golfo Pérsico estavam sendo realizadas se forma "adequada", mas que haveria "uma revisão completa".
“Encenação”
O governo iraniano rebateu as afirmações dos militares dizendo que a coletiva desta sexta-feira foi “encenada”.
Em uma mensagem, o Ministério do Exterior diz que “tal propaganda teatral não pode justificar o erro dos soldados”.
“Tais atitudes encenadas não podem encobrir o erro dos militares britânicos que entraram ilegalmente no território do Irã.”
“Nós lamentamos que a Grã-Bretanha não tenha conhecimento da cultura islâmica e da civilização iraniana para entender a razão que levou o país a perdoar os soldados”, diz a mensagem.