04 de abril, 2007 - 11h34 GMT (08h34 Brasília)
Andrea Wellbaum
Do Cairo
A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, contrariou a vontade da Casa Branca nesta quarta-feira ao se encontrar com o presidente da Síria, Bashar al-Assad, no Palácio al-Shaab, na capital do país, Damasco.
Segundo o presidente George W. Bush, a viagem da parlamentar democrata à Síria enfraquece a política externa americana e “dá sinais confusos ao presidente (Bashar al-Assad)”.
Pelosi, que é a mais alta autoridade americana a visitar a Síria nos últimos quatro anos, ignorou as críticas, argumentando que o diálogo com o país é a melhor forma de resolver as crises do Iraque e do Líbano.
Após ter encontros separados com o ministro do Exterior sírio, Walid Muallem, e o vice-presidente, Faruq al-Shara, Pelosi participou de uma cena que a administração Bush queria evitar: posou para fotos ao lado do presidente sírio antes de se reunir com ele.
Na terça-feira, Bush disse que “oportunidades de fotos ou encontros com o presidente Assad levam o governo Assad a acreditar que é destaque na comunidade internacional quando, na verdade, eles são um Estado que patrocina o terrorismo”.
Resultados
O vice-primeiro-ministro da Síria, Fayssal Mekdad, elogiou a atitude de Pelosi dizendo que a visita é o início de um diálogo entre os dois países, mas ressaltou que não tem ilusões em relação a seus resultados.
Em uma entrevista à BBC, Mekdad disse que “o diálogo verdadeiro é a única forma de resolver os problemas extremamente graves na região.
Porém, ele disse duvidar que “em uma primeira visita deste tipo com uma administração com a existente nos Estados Unidos nós possamos atingir os resultados esperados”.
Os Estados Unidos retiraram seu embaixador de Damasco pouco depois do assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em fevereiro de 2005, por acreditar que a Síria tenha responsabilidade no episódio.
Washington também já tinha imposto sanções econômicas à Síria em 2004, acusando o país de abrigar grupos terroristas, apoiar insurgentes no Iraque e interferir na política do Líbano.
Nos últimos meses, no entanto, vários integrantes do governo americano foram a Damasco e se encontraram com Assad após o Grupo de Estudos do Iraque ter recomendado aos Estados Unidos a incluir a Síria e o Irã nos esforços diplomáticos para diminuir a violência no Iraque.
“Eu não ouvi a Casa Branca se manifestando a respeito disto”, disse Pelosi antes de chegar à Síria, referindo-se a visitas de representantes republicanos a Assad no último domingo.
Antes de visitar a Síria, Pelosi esteve rapidamente no Líbano na segunda-feira e se encontrou com o líder da maioria no Parlamento libanês, Saad al-Hariri.