04 de abril, 2007 - 18h40 GMT (15h40 Brasília)
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta quarta-feira que sente um "alívio profundo" com a libertação dos 15 militares britânicos capturados pelo Irã.
"Não temos nenhuma má vontade. Pelo contrário, nós respeitamos o Irã como uma civilização antiga, como uma nação com uma história de orgulho e dignidade", disse Blair.
"As diferenças que nós temos com o seu governo, nós desejamos resolver pacificamente através de diálogo. Eu espero, como sempre esperei, que, no futuro, possamos fazer isso."
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou nesta quarta que os marinheiros serão soltos. Eles devem voltar à Grã-Bretanha na quinta-feira.
'Férias forçadas'
Ahmadinejad repetiu, em uma entrevista coletiva em Teerã, as alegações de que o grupo "invadiu" as águas territoriais iranianas, mas disse que eles serão libertados como um "presente" para a Grã-Bretanha.
O anúncio foi feito pouco depois de o líder iraniano condecorar os homens da guarda costeira iraniana que detiveram os britânicos no Golfo Pérsico. Ele também conversou com os britânicos detidos.
"Como você está? Então, você saiu para umas férias forçadas?", perguntou Ahmadinejad a um dos britânicos.
Nas imagens divulgadas pelo Irã, um dos capturados se dirige ao presidente do país: "Gostaria de dizer que eu e toda a minha equipe estamos muito agradecidos por seu perdão. Gostaria de agradecer ao senhor e ao povo iraniano. Muito obrigado, senhor."
"De nada", respondeu Ahmadinejad, em farsi.
Estados Unidos
A Grã-Bretanha disse que os 14 homens e uma mulher estavam em águas territoriais iraquianas sob um mandato das Nações Unidas.
A manutenção dos britânicos gerou tensões entre os dois países, e foi condenada pela União Européia, que a considerou uma violação de leis internacionais.
O Irã alega que o grupo violou suas águas territoriais, o que é negado pela Grã-Bretanha.
Ahmadinejad também criticou a invasão liderada pelos Estados Unidos ao Iraque e a guerra de Israel no Líbano.
O líder iraniano usou a entrevista coletiva por ocasião do Ano Novo Persa para condenar os países que, segundo ele, estão por trás da "miséria" e "destruição" no mundo.
Ahmadinejad disse que não parece haver ninguém "para se levantar e defender os direitos dos oprimidos".
Nos Estados Unidos, o vice-presidente, Dick Cheney, também manifestou satisfação com o anúncio da libertação dos marinheiros. Ele disse não saber se o Irã recebeu alguma coisa em troca pela libertação dos soldados.
Cheney afirmou que oferecer algo aos que capturam pessoas no alto mar seria uma forma de promover mais seqüestros.