04 de abril, 2007 - 23h00 GMT (20h00 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
Uma associação de pilotos da Argentina anunciou nesta quarta-feira que, “para evitar acidentes”, os seus membros vão manter um prazo de dez minutos entre as decolagens e aterrisagens dos aviões.
Com a decisão, os pilotos contrariam determinação do Ministério da Defesa e da Aeronática, que havia recomendado intervalos de cinco minutos para evitar atrasos no feriado da Semana Santa.
“Isso é degradar ainda mais a segurança aérea. Como a Força Aérea não adotou a medida que deveria, nós é que vamos preservar nossas vidas e a dos passageiros”, disse o presidente da Associação dos Pilotos das Linhas Aéreas (APLA), Jorge Pérez Tamayo.
Segundo os principais jornais online argentinos, a Força Aérea garantiu que a segurança está mantida, apesar de o principal radar do país continuar fora do ar e o controle aéreo estar sendo feito manualmente.
“É uma loucura o que está acontecendo: um radar continua fora de serviço e decidiram reduzir o tempo para cinco minutos”, completou Tamayo.
Agressões
Pouco depois da decisão dos pilotos, aeroviários que trabalham no atendimento ao público e no setor de cargas anunciaram uma greve de 24 horas, a partir das 6h desta quinta-feira.
Ao saber da notícia, o Ministério do Trabalho interveio, e a paralisação foi temporariamente suspensa.
A Associação do Pessoal Aeronáutico (APA) argumentou que o protesto seria realizado contra as “agressões e até violência física, cada vez mais constantes”, dos passageiros, irritados com os atrasos dos vôos.
A APA reúne, principalmente, trabalhadores da Aerolineas Argentinas e da Austral, as principais companhias aéreas do país.
“Não podemos tolerar mais as agressões dos passageiros que atacam os trabalhadores, que não são os responsáveis pelos problemas das companhias aéreas e pela falta de funcionamento do radar”, disse Edgardo Llano, da APA.
No mês passado, o presidente Nestor Kirchner anunciou que alugará radares e decretou a “desmilitarização” do setor aéreo, mas os efeitos dos anúncios ainda não foram percebidos, segundo pilotos e outros trabalhadores do ramo.