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03 de abril, 2007 - 09h55 GMT (06h55 Brasília)

Febens de SP são 'inferno', diz jornal francês

As prisões de adolescentes brasileiras, em especial as unidades da Febem paulista, são "infernos", afirma nesta terça-feira o jornal francês Le Figaro.

"O sistema carcerário brasileiro, balançado por violentas revoltas em 2006, é um dos mais violentos do mundo. Inclusive suas unidades reservadas a acolher jovens delinqüentes", diz a reportagem.

"São escolas do crime e de tráfico que contam, freqüentemente, com a cumplicidade dos monitores. A situação não pára de piorar diante da indiferença geral."

A reportagem descreve a história de Helena de Araújo, cujo filho se suicidou na Febem.

Como ele, dezenas de jovens tiveram o mesmo destino, diz a matéria, que afirma serem "em vão" as críticas de associações de direitos humanos que reclamam dos maus tratos a jovens.

"O que a lei concebeu como um centro de reeducação se tornou um inferno, uma prisão que sofre dos mesmos males que o resto do sistema carcerário brasileiro", diagnostica o Figaro.

PCC

O jornal destaca que o PCC, maior grupo criminoso do Brasil, "se tornou objeto de fascinação" entre os internos.

"Reunidos após o cair da noite, os jovens começam por declamar um Pai Nosso antes de cantar hinos exaltando a ação do PCC e prometendo morte aos policiais."

Para o jornal, enquanto a situação se deteriora, políticos, juristas e a sociedade fazem ouvidos moucos à violência nas Febens.

A indenização de Helena de Araújo, de 300 salários mínimos, pode levar até dez anos para ser confirmada pela Justiça, e mais seis para ser paga pelo Estado de São Paulo, informa a reportagem.

"Helena será, na melhor das hipóteses, indenizada em 2022. Seu filho teria 36 anos."