03 de abril, 2007 - 19h27 GMT (16h27 Brasília)
A ajuda que os maiores doadores do mundo fornecem a outros países caiu 5,1% no ano passado, de acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgados nesta terça-feira.
Os 22 países que integram a Comissão de Assistência ao Desenvolvimento (CAD)da entidade doaram US$ 103,9 bilhões em 2006 - contra um recorde de US$ 106,8 bilhões que haviam doado em 2005.
O valor inclui US$ 19,2 bilhões em dívidas perdoadas, especialmente para o Iraque e Nigéria. Excluindo o perdão de dívidas, outras formas de ajuda caíram 1,8%.
Entre os 22 países membros, 16 conseguiram alcançar a meta estabelecida pela comissão, estabelecida em uma conferência em Monterrey, no México, em 2002.
A ajuda a países da África subsaariana, incluindo perdão de dívidas, permaneceu a mesma em 2006. Segundo a própria OCDE, isso significa que a meta de dobrar a ajuda à África até 2010, estabelecida na cúpula do G8 em 2005, permanece como um desafio.
A Comissão de Assistência ao Desenvolvimento (CAD) reúne 22 dos 30 países que integram a OCDE.
Primeira queda
O total de US$ 103,9 bilhões em ajuda corresponde a 0,3% do Produto Nacional Bruto de todos os membros. Em termos reais esta é a primeira queda registrada desde 1997, apesar de este nível ainda ser o maior já registrado, à exceção de 2005.
Segundo a OCDE, a queda já era prevista já que a assistência oficial ao desenvolvimento havia sido excepcionalmente alta em 2005. Naquele ano, houve grandes operações de perdão de dívidas, especialmente para o Iraque e Nigéria.
Os únicos países a alcançarem ou excederem a meta da ONU de doar 0,7% do seu Produto Nacional Bruto foram Suécia, Luxemburgo, Noruega, Holanda e Dinamarca.
Em valores absolutos, os Estados Unidos foram os maiores doadores, seguidos por Grã-Bretanha, Japão, França e Alemanha.
A assistência oficial ao desenvolvimento deve cair novamente em 2007, pois o perdão de dívida à Nigéria e ao Iraque deve diminuir.
A União Européia concordou em 2005 em aumentar a ajuda de forma a doar 0,56% do Produto Nacional Bruto de seus membros combinado até 2010, ou pelo menos 0,51% para os membros do bloco que fazem parte da Comissão de Assistência ao Desenvolvimento do OCDE.
A meta total da UE leva em conta os compromissos de alguns dos membros europeus da comissão da OCDE para aumentar ou manter níveis de ajuda mais altos do que a meta mínima do país, além de pedir que outros países europeus, que não são membros da comissão, para aumentarem os níveis de ajuda, dando o nível mínimo de ajuda específica.