31 de março, 2007 - 04h09 GMT (01h09 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta sexta-feira à noite a Washington, e foi direto para Blair House, a casa de hóspedes presidencial americana.
Seu avião aterrissou na base de Andrews, em Maryland, nas cercanias da capital americana. Em Blair House, o presidente era aguardado por diversos fotógrafos e repórteres brasileiros que fizeram uma série de perguntas sobre a greve dos controladores de vôo. Ao lado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Lula acenou e limitou-se a responder: "Deixa eu chegar."
Segundo o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, o presidente telefonou para Brasília e deu ordem para que o governo abrisse um "canal de negociação" com os controladores de vôo. Lula considerou o fim da paralisação nos aeroportos uma "questão de segurança nacional", afirmou Martins em Brasília.
O compromisso oficial do presidente nos Estados Unidos começa no sábado, por volta do meio-dia, quando ele se dirige a uma base naval em Virgínia, onde embarca em um helicóptero com destino a Camp David.
Ele deverá se reunir com Bush por entre uma hora e uma hora e meia.
Em seguida, os presidentes se revezarão em pronunciamentos de dez minutos e responderão a perguntas de jornalistas americanos e brasileiros.
Lula jantará com Bush antes de retornar a Washington, de onde partirá de volta para o Brasil.
O presidente brasileiro será o primeiro líder latino-americano a ser recebido por George W. Bush em Camp David, e o primeiro líder latino-americano a participar de uma reunião de trabalho no retiro dos presidentes americanos desde 1991. O último foi o mexicano Carlos Salinas de Gortari.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi recebido em Camp David pelo ex-líder americano Bill Clinton, em 1998, mas aquela reunião foi descrita pelo governo americano como sendo uma ''reunião pessoal'' e não uma ''reunião de trabalho''.
Doha
A agenda do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush deverá ser abrangente, com temas que vão desde maneiras de destravar a Rodada de Doha, até a presença das tropas brasileiras no Haiti.
A retomada das negociações de Doha deverá, no entanto, dominar a agenda dos dois líderes, segundo informou nesta sexta-feira Dan Fisk, o diretor-sênior do departamento responsável pelas Américas do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, durante uma entrevista coletiva, em Washington.
A intensificação da cooperação na área de biocombustíveis também será um dos assuntos discutidos pelos líderes do Brasil e dos Estados Unidos. É possível que os dois presidentes divulguem quais deverão ser os três países da América Centra e do Caribe, além do Haiti, que irão sediar a parceria americano-brasileira para produzir etanol.
Além destes tópicos, Bush e Lula deverão ainda tratar do recém-assinado acordo de trocas de informações tributárias entre Brasil e Estados Unidos.