30 de março, 2007 - 20h58 GMT (17h58 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
No entender do governo americano, o presidente de Cuba, Fidel Castro, entende de fome, mas não de etanol.
''Se existe alguém que sabe como criar fome é Fidel Castro, mas ele também sabe como não fazer etanol'', afirmou nesta sexta-feira Dan Fisk, o diretor-sênior do departamento responsável pelas Américas do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, durante uma entrevista coletiva, em Washington.
A crítica foi uma resposta do governo americano às críticas feitas pelo líder cubano sobre o cultivo da cana-de-açúcar para a produção de etanol.
Fisk afirmou que a situação em Cuba deverá estar entre os temas discutidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder americano, George W. Bush, durante o encontro que os dois líderes manterão na casa de campo presidencial, Camp David, neste sábado.
"Fome e sede"
Os comentários de Fidel foram feitos em um artigo assinado por ele e publicado no diário oficial cubano, Granma, nesta semana.
O texto, que marcou a ruptura do silêncio de oito meses do líder cubano, foi intitulado Condenadas à morte prematura por fome e sede mais de três bilhões de pessoas no mundo.
De acordo com o presidente de Cuba, a cifra “não é uma estimativa exagerada, é cautelosa”.
Fidel acrescenta ainda que “transformar alimentos em combustíveis” mais limpos do ponto de vista ambiental é “uma “tragédia”, “uma idéia sinistra”.