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28 de março, 2007 - 22h46 GMT (19h46 Brasília)

Após polêmica, ministra diz querer se 'reposicionar'

A ministra Matilde Ribeiro, titular da Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), disse nesta quarta-feira que os excluídos lutarem pelos seus direitos "não é uma forma de racismo. É, sim, uma forma de se afirmar como cidadão".

Matilde fez a declaração em uma entrevista ao Portal do PT (Partido dos Trabalhadores), em que propôs se "reposicionar" em relação às afirmações que fez em entrevista à BBC Brasil, quando disse que "não é racismo quando um negro se insurge contra um branco".

"Embora eu tenha dito isso num contexto de uma resposta muito mais ampla há poucos dias, o que causou uma polêmica, vou me reposicionar: o racismo e a discriminação racial são existentes na sociedade brasileira", disse Matilde Ribeiro na entrevista ao Portal do PT.

"Racismo é uma forma de manifestação existente em várias sociedades, não apenas no Brasil, e está balizado por poder. Quem tem poder econômico, político, poder de decisão, toma decisão excluindo quem não tem."

Leia a entrevista da ministra à BBC Brasil

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"Balizado por poder"

"Os que lutam para ser incluídos querem ter sua cidadania garantida e isso é um direito constitucional. Lutar pelos direitos não é uma forma de racismo. É, sim, uma forma de se afirmar como cidadão", acrescentou.

A ministra ressaltou que o negro no Brasil não tem se separado do resto da sociedade e "tem atuado ao longo da história para fazer parte da vida política do país junto com os brancos".

Matilde Ribeiro cita como exemplos dessa integração atividades associadas à "africanidade" do brasileiro, como a prática da capoeira e a atividade das escolas de samba, que não são associadas exclusivamente aos negros no país.

"A cultura brasileira é fortemente negra, e ela está para todos", disse. "Nós temos consciência, seja a partir da política governamental ou a partir do diálogo com o movimento negro, de que o desenvolvimento das políticas expressa uma realidade dessa sociedade que tem uma diversidade muito latente, e se coloca para a vida brasileira."

"E também há um convencimento histórico de que a mudança no comportamento preconceituoso de brasileiros não deve ser impulsionada pelos próprios negros e, sim, pela sociedade como um todo", completou.