27 de março, 2007 - 20h36 GMT (17h36 Brasília)
Denize Bacoccina
De Brasília
A Petrobras e a empresa italiana Eni anunciaram nesta terça-feira um acordo para produzir biodiesel em países africanos para vender o combustível aos países europeus, que planejam substituir parte do consumo de derivados de petróleo por biocombustíveis nos próximos anos.
Os primeiros projetos serão implantados em Angola e Moçambique, aproveitando a presença das duas empresas nestes países.
De acordo com o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o investimento ainda não está definido e o prazo para que as usinas comecem a funcionar é de três a quatro anos.
As duas empresas também assinaram um memorando de entendimento para cooperação técnica para a produção de biocombustíveis em outros países, aproveitando a tecnologia brasileira nesta área.
Potencial
“Existe um enorme potencial de cooperação (entre Brasil e Itália)”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa cerimônia de assinatura de atos ao lado do primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, que encerrou nesta terça-feira sua visita de dois dias ao Brasil.
Ele disse que o Brasil pode contribuir para que a Itália diminua sua dependência do petróleo.
Lula apresentou a parceira entre os dois países para produzir o combustível na África como uma solução para a pobreza do continente, com geração de emprego e renda.
“Se não tiver emprego, terão no terrorismo, na criminalidade e na morte precoce a única alternativa”, afirmou.
A Petrobras e a Eni também anunciaram na segunda-feira, na primeira etapa da viagem de Prodi, em São Paulo, que pretendem investir US$ 480 milhões em quatro unidades de produção de produção de biodiesel no Brasil.
Doha
Prodi, que já foi presidente da Comissão Européia, disse que a União Européia deve “dar um passo atrás” e se esforçar para conseguir um acordo para retomar as negociações para a Rodada de Doha de liberalização do comércio.
“Todos temos que dar um passo atrás e isso se refere à União Européia também”, afirmou, ao lado de Lula.
O bloco vem sendo criticado por países em desenvolvimento e pelos Estados Unidos por falta de flexibilidade em sua proposta de redução de subsídios agrícolas.
O primeiro-ministro italiano disse que acordos bilaterais entre os principais blocos sem que se chegue a um acordo global podem ser úteis para os países beneficiados, mas correm o risco de deixar para trás a África.
“Senão, em dez, 15 anos, vamos criar vários acordos separados, deixando a África completamente de fora”, afirmou.