27 de março, 2007 - 11h42 GMT (08h42 Brasília)
Marcelo Crescenti
De Frankfurt
A indústria automobilística alemã está sendo pressionada pela União Européia para produzir carros menos poluentes – e busca alternativas para baixar as emissões de gás carbônico de seus automóveis.
O comissário europeu dos Transportes, Stavros Dimas, criticou duramente as montadoras alemãs, dizendo que seus carros ultrapassam de longe os limites aceitáveis de emissão de gás carbônico.
Para diminuir o aquecimento global os europeus querem baixar a emissão média de gás carbônico de automóveis para 120 gramas por quilômetro rodado nos próximos anos. Isso equivale a um consumo de 5 litros de gasolina a cada 100 quilômetros.
Montadoras alemãs como Mercedes-Benz, BMW e Porsche são conhecidas por fabricarem carros grandes com motores potentes, e estão longe de atingir essa marca.
'Eco-driving'
O modelo mais "econômico" da Porsche, por exemplo, emite quase o dobro desse limite, que poderá ser estabelecido a partir de 2012.
O nervosismo que reina na indústria ficou claro quando o chefe da Associação Alemã de Produtores de Automóveis, Bernd Gottschalk, renunciou ao cargo.
Segundo fontes das empresas citadas na imprensa alemã, ele foi acusado de subestimar o impacto desse assunto na opinião pública.
Agora as empresas procuram saídas para polir sua imagem e fazer carros menos poluentes.
Várias montadoras oferecem cursos grátis para motoristas aprenderem a dirigir mais economicamente, chamados de "eco-driving".
A Mercedes-Benz anunciou o lançamento de carros com motores híbridos, movidos à gasolina e eletricidade, algo que era impensável até poucos meses atrás.
A BMW já oferece carros movidos a hidrogênio, que praticamente não poluem o meio-ambiente. O problema é que eles ainda são muito caros e não há postos de abastecimento suficientes na Alemanha.
A Volkswagen investe na produção de um novo biocombustível chamado SunFuel, que é um gás liquefeito natural obtido a partir de matéria-prima vegetal.
Segundo a empresa, o novo combustível poderá substituir até 50% do volume de óleo diesel usado na Alemanha.
O modo mais simples de acabar com esse dilema ecológico seria produzir carros menores e mais econômicos.
No entanto, analistas duvidam que o consumidor alemão, acostumado a carros grandes, vá mudar suas preferências em curto prazo.
"Ainda há uma grande demanda por automóveis potentes e luxuosos", diz Ferdinand Dudenhoeffer, professor de economia automobilística da Universidade de Gelsenkirchen.