27 de março, 2007 - 11h55 GMT (08h55 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, confirmou uma reforma ministerial de emergência substituindo quatro ministros, entre eles o dos Transportes, e criando duas novas pastas.
A crise política se acelerou na noite de segunda-feira, com críticas da situação e da oposição contra o governo. As críticas se referem ao "caos", como classificou a imprensa chilena, gerado pelo novo sistema de transporte urbano da capital do país, o Transantiago.
O sistema, lançado em fevereiro, definiu um novo mapa para a circulação dos ônibus e substituiu passagens e trocadores por cartões magnéticos, entre outras medidas.
Mas a escassez dos novos veículos, como ônibus mais modernos, a falta de pontos de ônibus e de informação têm gerado filas e protestos diários há quase cinqüenta dias.
Desculpas
Nesse período, segundo diferentes pesquisas de opinião, a popularidade da presidente caiu cerca de 12%.
De acordo com os principais jornais chilenos, duas pessoas morreram por falta de ar no metrô. Os trens do metrô são a única alternativa à falta de ônibus, mas as estações têm sido obrigadas a fechar as portas quando a multidão não cabe mais nos vagões.
Num pronunciamento à nação na noite de segunda-feira, Bachelet pediu desculpas aos chilenos.
“Ninguém merece esse sufoco”, disse, diante das câmeras de TV do país.
“O objetivo do Transantiago era melhorar ainda mais a vida dos chilenos. Mas a verdade é que governo e empresários não fizeram as coisas direito”, reconheceu.
Segundo ela, o atual sistema definiu novos trajetos para os ônibus, tentando tornar o transporte mais eficaz. Mas estas melhorias não ocorreram até agora, como admitiu.
“O novo ministro dos transportes deverá colocar mais linhas de ônibus para a população, mais opções de metrô, além de facilitar o uso do cartão magnético e ampliar as informações disponíveis aos usuários”, disse.
Informação
Nos primeiros dias de março, em outro pronunciamento, Bachelet havia anunciado 23 medidas que pretendiam amenizar as dificuldades no transporte público.
A falta de informação vem fazendo com que passageiros esperem em pontos inexistentes. Além disso, faltam ônibus – apesar de, em muitos casos, vários veículos estarem parados nas garagens, mesmo na hora do rush, como mostraram imagens da TV Chile.
“Vai ser difícil para a Concertación (a base governista) vencer as próximas eleições presidenciais, em 2009, se não forem solucionados os problemas com o Transantiago”, disse a senadora e presidente do partido Democracia Cristã (DC), Soledad Alvear.
A crise no setor de transportes levou a presidente Bachelet a acelerar as mudanças em seu ministério. É a terceira alteração desde a sua posse há pouco mais de um ano.
Além de substituir Sérgio Espejo por René Cortázar, no Ministério dos Transportes, ela trocou ainda os representantes das pastas da Defesa, ocupada a partir de agora por José Goñi.
A pasta da Justiça foi para Carlos Maldonado e a secretária da Presidência foi entregue para José Antonio Vieira.
Além destas mudanças, Bachelet criou os Ministérios do Meio-Ambiente (a cargo de Ana Lya Uriarte) e da Energia (com Marcelo Tokman).
As posses serão realizadas nesta terça-feira, mas ainda não se sabe se a reforma será suficiente para resolver o principal desafio do governo Bachelet – o sistema de transportes, herança que lhe foi deixada pelo antecessor no Palácio Presidencial de La Moneda, Ricardo Lagos.
Apesar de o Transantiago estar limitado à capital chilena, é nela que vive a maioria dos eleitores do país.