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26 de março, 2007 - 10h26 GMT (07h26 Brasília)

Cientistas criam kit para detectar comida estragada

Cientistas da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, estão desenvolvendo um teste para detectar se alimentos estão estragados e poderiam causar intoxicação alimentar.

O teste consiste de uma espécie de palito que é inserido no alimento e detecta a presença de substâncias químicas que surgem quando o produto está se decompondo.

O palito roxo muda de cor para indicar o resultado. Vermelho significa que a comida está prestes a estragar e amarelo que já não é apropriada para o consumo.

Segundo os cientistas, os sinais de que os alimentos começaram a estragar, como cheiro ruim e o surgimento de mofo, nem sempre estão presentes.

Sinais

Geralmente, testes para detectar bactérias específicas que causam intoxicação alimentar são caros, requerem kits complicados e demoram para apontar os resultados.

Mas, ao invés de detectar as bactérias, o teste criado pelos pesquisadores americanos aponta a presença de componentes que são gerados quando as proteínas presentes nos alimentos começam a se decompor.

Análises preliminares com produtos como salmão fresco e atum fresco e de lata mostraram que o novo teste detectou a presença desses componentes com precisão em 90% dos casos.

Os cientistas dizem que seus estudos sugerem que o teste funcionará também em alimentos como frutas e vegetais, que têm menos proteínas do que carnes e peixes.

Eles devem realizar mais estudos com o protótipo do teste e esperam que o kit esteja disponível para os consumidores em alguns anos.

O coordenador do estudo, John Lavigne, disse, no entanto, que os palitos não poderão indicar qual a bactéria específica presente no alimento, como por exemplo, salmonella ou E. coli.

O teste também não consegue distinguir entre a comida estragada e o mofo desejável, como o de alguns queijos.

Diferenças

O protótipo do novo teste foi apresentado no encontro da Sociedade Americana de Química.

A Agência de Proteção à Saúde britânica alertou, no entanto, que muitas vezes alimentos que não estão estragados contêm bactérias que podem causar intoxicação alimentar.

“Você não pode igualar a comida estragada com a que pode causar intoxicação alimentar”, disse Suzanne Surman-Lee, da agência.

O professor Hugh Pennington, da Universidade de Aberdeen, na Grã-Bretanha, disse que o teste pode ser mais útil para os comerciantes que vendem alimentos do que para o consumidor final.

Um porta-voz da Food Standards Agency, que regula o setor, disse que a presença dos componentes químicos detectados pelo teste geralmente indicam que os alimentos não foram preparados e armazenados de forma apropriada.

“Um teste desse tipo não deve ser usado para substituir as técnicas eficientes de estocagem e preparo”, disse.

Todos os anos na Grã-Bretanha cerca de seis milhões de pessoas – 10% da população – sofrem pelo menos uma vez de intoxicação alimentar.

A maioria das pessoas tem sintomas leves e se recupera rapidamente, mas alguns casos se tornam mais sérios e acabam no hospital.