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22 de março, 2007 - 09h37 GMT (06h37 Brasília)

ONG pede boicote de julgamentos em Guantánamo

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pediu a governos estrangeiros que não cooperem com os julgamentos militares americanos de prisioneiros do campo da baía de Guantánamo, em Cuba.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a Anistia Internacional disse que outros países deveriam se recusar a fornecer evidências para os processos a serem conduzidos por comissões militares.

Segundo o documento, as autoridades americanas deveriam abandonar o sistema de comissões militares e julgar os suspeitos em tribunais civis.

A Anistia Internacional afirma que os julgamentos serão realizados exclusivamente por militares americanos, e permitirão evidências obtidas através de tortura e em centros de detenção secretos.

Pena de morte

Estes tribunais militares podem impôr pena de morte - com uma possibilidade muito restrita de apelação da sentença - ou deter os suspeitos indefinidamente, disse a organização de defesa dos direitos humanos.

O governo do presidente George W. Bush insiste que é necessário reter e julgar indivíduos perigosos em Guantánamo como parte do que ele chama de "guerra contra o terror".

Os julgamentos militares devem ser retomados na semana que vem, quando um australiano muçulmano, David Hicks, comparece perante uma comissão, para responder à acusação de ter lutado em nome da rede extremista Al-Qaeda no Afeganistão.

Acredita-se que cerca de 370 suspeitos estejam no campo de Guantánamo, acusados pelos Estados Unidos de serem "inimigos combatentes".