22 de março, 2007 - 23h24 GMT (20h24 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
O Brasil está disposto a fazer concessões nos setores de serviços e de bens industriais para retomar as negociações da Rodada de Doha, de liberalização do comércio mundial.
A informação foi dada pelo embaixador brasileiro em Washington, Antônio Patriota, nesta quinta-feira, após um discurso realizado na sede da Câmara do Comércio dos Estados Unidos, na capital americana.
''Estamos olhando atentamente para os setores de bens industriais e serviços e preparados para fazer as concessões necessárias de modo a obter um acordo satisfatório'', disse o embaixador.
''Numa negociação, você não pode só querer ganhar. Tem que mostrar flexibilidade'', afirmou Patriota, acrescentando, no entanto, que o Brasil ''não vai se satisfazer com um nível modesto de ambição na frente agrícola''.
As negociações da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio chegaram a um impasse em julho do ano passado. O Brasil queria a redução de subsídios agrícolas por parte de europeus e americanos. E estes, em contrapartida, queriam a abertura dos setores industrial e de serviços dos países em desenvolvimento.
Topo da agenda
Segundo Patriota, o tema de biocombustívies norteou o encontro entre os presidentes americano, George W. Bush e Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, mas, agora, a Rodada de Doha deverá ser um dos temas dominantes do encontro entre os dois líderes em Camp David, no próximo dia 31.
Como o avanço da rodada está no topo da agenda dos dois países, a representante do Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, deverá participar do encontro entre os dois líderes.
Lula virá acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e do assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.
Segundo Patriota, Lula e Bush deverão almoçar no dia 31 e em seguida manterão um encontro que deve durar cerca de três horas e meia.
Agenda cheia
De acordo com o embaixador, em Camp David os dois líderes terão mais tempo para conversar, o que permitirá que o encontro tenha uma agenda mais ampla.
''Doha será sem dúvida uma conversa importante'', diz o embaixador, mas Patriota adianta que "nenhum tema está excluído''.
Ele adianta ainda que os dois líderes deverão aprofundar a discussão sobre a cooperação em etanol e discutir a situação no Haiti, onde as tropas brasileiras estão comandando a missão de paz da Organização das Nações Unidas.
A agenda deverá incluir até assuntos de interesse mundial, segundo o embaixador, como o momento atual no Oriente Médio.