21 de março, 2007 - 20h13 GMT (17h13 Brasília)
Denize Bacoccina
De Brasília
O governo vai ter que poupar R$ 9 bilhões a mais neste ano para adequar o superávit primário de 3,75% ao novo Produto Interno Bruto (PIB), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.
O volume de recursos que terá que ser poupado este ano passa de R$ 83,6 bilhões, com o PIB antigo, para R$ 92,6 bilhões com a nova estimativa do PIB para este ano.
Os cálculos foram feitos pelos economistas do banco BNP-Paribas e ainda são estimados, já que a nova série divulgada pelo IBGE refere-se ao período entre 2000 e 2005, e ainda não inclui os dados do ano passado.
Para o economista-chefe do Banco WestLB no Brasil, Roberto Padovani, a necessidade de aumentar a economia para o superávit primário aumenta o risco de que o governo não seja capaz de cumprir o prometido.
“A equipe que está aí não construiu uma reputação de que vai cumprir o superávit. O risco de não entregar é alto”, afirmou Padovani.
Ele diz que já existia no mercado financeiro a percepção de que o governo teria dificuldade em cumprir a promessa de 4,25% (ou 3,75% excluindo os investimentos previstos no Plano de Aceleração do Crescimento, o PAC) e muitos analistas já esperavam um número em torno de 4%.
“Agora, essa percepção aumenta. O governo vai ter que apertar seus gastos”, diz ele.
Dívida/PIB
O aumento do PIB de 2005 em 10,9%, para R$ 2,14 trilhões, também reduz a proporção dívida/PIB em cerca de cinco pontos nos últimos anos.
A estimativa da equipe do BNP-Paribas é que a proporção dívida-PIB teria caído de 49,96% em dezembro, com os dados antigos, para 45,28%, com a atualização dos dados.
“É uma notícia boa”, diz Padovani. “A relação dívida/PIB ainda é muito mais alta que a dos outros emergentes, mas está melhorando”, diz ele.
A nova metodologia utilizada pelo IBGE na elaboração do PIB altera o peso de alguns indicadores econômicos e utiliza dados da declaração de informações fiscais das empresas, pesquisa de orçamento familiar e censo agropecuário, e usa conceitos e definições recomendados pelas Nações Unidas e outros organismos internacionais.
Com a mudança, o PIB brasileiro foi revisado para baixo em 2000 (crescimento de 4,4% para 4,3%) e para cima entre 2001 e 2005. O PIB do ano passado ainda não foi divulgado.