16 de março, 2007 - 10h38 GMT (07h38 Brasília)
Uma reportagem do diário New York Times afirma nesta sexta-feira que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou "timidez" na questão dos direitos humanos ao evitar investigar torturas cometidas durante o regime, entre 1964 e 1985.
A matéria é motivada pelo primeiro processo a um oficial do regime – o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-CODI de São Paulo entre 1970 e 1974.
Para o correspondente do jornal, o exemplo para que grupos de direitos humanos conseguissem levar o hoje militar reformado à Justiça tem vindo de fora.
"Frustrados pela timidez de seu próprio governo, mas encorajados por recentes decisões judiciais na Argentina e no Chile", eles estão tentando reverter a Lei da Anistia, que em 1979 perdoou o que chamou de "crimes políticos" cometidos durante o regime, afirmou a matéria.
Uma das famílias de vítima de tortura disse ao jornal que o objetivo do processo não levar o coronel Ustra à prisão, e sim estabelecer, judicialmente, o reconhecimento de que "a tortura não era isolada, e sim institucionalizada" durante o regime.
Gabinete
Dois meses e meio após tomar posse, a formação completa do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece uma "incógnita", afirma matéria do diário espanhol El País, nesta sexta-feira.
Ainda há dúvidas sobre o perfil de quem ocupará pelo menos sete das 34 pastas a serem anunciadas pelo presidente – que, nas palavras do jornal, "gosta de despistar a imprensa".
Na imprensa estrangeira, circula a informação de que a demora de Lula em definir seu gabinete se deve à disputa de Lula com o seu próprio partido.
O argentino Página 12 diz que Lula precisou de tempo para convencer o PT a abrir mão de cargos em favor do PMDB, que tem a maior bancada do Congresso.
Mas, para o diário, "apesar da maior presença do PMDB e dos partidos da base aliada os pesos pesados seguirão sendo os mesmos em Brasília".
A matéria cita que Dilma Roussef, Guido Mantega e Henrique Meirelles continuarão, respectivamente, à frente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Ministério da Fazenda e do Banco Central.
Argentina x Irã
Editorial do jornal Clarín elogia a decisão da Interpol, a polícia internacional, de aceitar o pedido de prisão de cinco ex-funcionários do governo iraniano e de um libanês por um atentado cometido contra a Embaixada israelense e um centro judaico em Buenos Aires, em 1994.
"A ordem significa um reconhecimento parcial de que há alguma solidez no questionamento argentino", disse o jornal. O pedido de prisão inclui o ex-presidente iraniano Ali Rafsanjani.
Segundo o editorial, a decisão da Interpol representa também um "reordenamento" geopolítico, e "uma melhoria da relação entre Buenos Aires e Washington".
Quinze anos depois de ser realizado, detalhes sobre o atentado continuam obscuros. Para o Clarín, este fato é "vergonhoso", e "uma mostra eloqüente das interferências políticas na investigação".