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10 de março, 2007 - 14h48 GMT (11h48 Brasília)

Roger Hardy

Negociações tentam salvar o Iraque do abismo

Diplomatas de vários países participam neste sábado de uma conferência no Iraque que tem o objetivo de resgatar o país do abismo onde se encontra.

O evento reúne os vizinhos do Iraque e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Como os Estados Unidos estão dialogando com o Irã e a Síria, dois países que acusa de desestabilizar o Iraque, a conferência levanta duas perguntas.

Ela vai ajudar a estabilizar o Iraque? Pode ela contribuir para melhorar o tenso relacionamento entre os EUA e o Irã?

Mudança de posição

Uma das metas do encontro é angariar apoio dos vizinhos do Iraque para ajudar a conter a violência no país.

Estes compartilham de certos temores. O desmembramento do Iraque e a possibilidade de uma guerra civil total poderiam fazer com que o conflito ultrapassasse a fronteira iraquiana, desestabilizando a região.

"Cada vizinho tem seus próprios interesses", diz Roula Khalaf , analista do jornal britânico, The Financial Times.

"Cada um apoia um grupo diferente no Iraque e este é o maior problema para o governo", diz ela.

Karim Sadjadpour, especialista em Irã do centro de pesquisa americano Carnegie Endowment, diz que quando o Irã sentiu a pressão vinda do governo Bush, o país reagiu tentando "ensinar uma lição cara aos Estados Unidos no Iraque".

"Portanto, se você tem uma maneira diferente dos Estados unidos lidarem com o Irã, você verá o Irã lidar com os americanos de outro jeito."

Alguns analistas enxergam a decisão da administração Bush de dialogar com estes países como um sinal de abrandamento.

Enviados americanos dizem que não esperam discussões diretas a respeito do programa nuclear iraniano, mas sim "uma série de conversas periféricas" sobre diversos assuntos.

Eles disseram ainda que não vão rejeitar conversar sobre o Iraque com o Irã e a Síria.

Mas a analista do Financial Times diz que ainda é muito cedo para falar de mudança de estratégia da política americana.

Ela, como outros analistas, têm expectativas modestas para esta conferência.