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10 de março, 2007 - 19h04 GMT (16h04 Brasília)

Márcia Carmo
De Buenos Aires

Vázquez recebe Bush e defende Mercosul mais aberto

Ao lado do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, sugeriu que o Mercosul permita que seus integrantes tenham maior liberdade para estabelecer relações diretas com outros países.

“O Uruguai está onde está (no Mercosul) e não podemos e não queremos sair”, disse.

“Mas não queremos um processo de integração fechado e sim aberto (na própria região).”

O presidente uruguaio defendeu que o Mercosul continue se integrando com outros blocos, mas ressaltou que cada um de seus sócios deve ter “direitos soberanos” para estabelecer relações bilaterais com outros processos de integração e outros países.

Crescimento elogiado

Desde o ano passado, há especulações de que o Uruguai – menor país do Mercosul – pretende estabelecer relações comerciais bilaterais mais estreitas com os Estados Unidos.

Em janeiro, Uruguai e Estados Unidos assinaram um acordo marco de comércio e investimentos, que poderia eventualmente levar a um tratado de livre comércio.

Uma das vozes em defesa de um acordo de livre comércio com Estados Unidos é a do ministro da Economia do Uruguai, Danilo Astori.

“Queremos aumentar o intercâmbio comercial, científico e cultural”, disse o líder uruguaio.

A proposta, no entanto, não conta com o apoio dos demais integrantes da coalizão de governo de centro-esquerda.

Vázquez agradeceu o apoio de Bush ao Uruguai, em 2002, quando o país viveu a pior crise econômica da sua história – no efeito contágio da crise argentina.

“Nossos governos compartilham preocupações comuns como a defesa da democracia”, elogiou Vázquez.

De paletó e sem gravata, os dois presidentes falaram com os jornalistas no jardim da fazenda presidencial de Anchorena, próximo à cidade de Colônia, a cerca de duzentos quilômetros da capital uruguaia, Montevidéu.

No encontro, Bush elogiou o crescimento econômico uruguaio (de aproximadamente 7% anual), o que, na sua opinião, contribui para atrair investimentos.

“O Uruguai é um país amigo e conta com nosso apoio”, disse. “Eu me importo muito com a América do Sul e acho que nossas relações podem ser cada vez melhores”, afirmou o líder americano.

Churrasco

Durante a entrevista, Bush contou que espera concluir o quanto antes as discussões da Rodada de Doha e prometeu trabalhar para eliminar barreiras do setor agropecuário – fundamental para a economia uruguaia.

Bush não quis comentar uma pergunta sobre os avanços do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Vázquez e Bush almoçaram na fazenda presidencial. O cardápio é a carne uruguaia – um dos principais produtos de exportação do Uruguai, principalmente para o mercado americano.

“Agradeço a oportunidade de provar a tão famosa carne uruguaia”, disse Bush. A expectativa é que, depois do encontro, Bush retorne a Montevidéu, de onde partirá no domingo para Colômbia – terceiro dos cinco países de seu giro pela América Latina que inclui ainda Guatemala e México.

Enquanto isso, ao mesmo tempo, Chávez estará na Bolívia – país que não faz parte da agenda de viagem de Bush.