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09 de março, 2007 - 22h53 GMT (19h53 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires

Com visita de Bush, Uruguai tenta se fortalecer no Mercosul

O governo do Uruguai deve aproveitar a visita do presidente americano, George W. Bush, que chega ao país nesta sexta-feira, para fortalecer sua posição no Mercosul e pleitear mais espaço para seus produtos nos Estados Unidos.

Bush desembarca em Montevidéu depois da viagem ao Brasil e se reúne com o presidente Tabaré Vázquez neste sábado, na fazenda presidencial Anchorena, em Colônia - uma ilha no meio do rio da Prata, cercada por forte esquema de segurança, incluindo um submarino.

Segundo analistas, o país de cerca de 3 milhões de habitantes (a menor população entre os países do Mercosul) se tornou a "peça decisiva" para a continuidade do bloco.

O analista uruguaio Gerardo Caetano, professor da Universidade da República, de Montevidéu, afirma que o Uruguai está ciente de que tem, agora, a oportunidade para ser mais valorizado.

"Essa aproximação com os Estados Unidos permite ao país ampliar seu comércio com o mercado americano e, ao mesmo tempo, ter a atenção que espera do Mercosul", diz Caetano.

Livre comércio

Recentemente, Estados Unidos e Uruguai assinaram um acordo sobre comércio e investimentos, gerando especulações de que esse seria o caminho para a criação de um TLC (Tratado de Livre Comércio) entre os dois países. O TLC fere os princípios do Mercosul e abalaria o bloco sul-americano.

Mas dentro e fora do governo Vázquez admite-se que a idéia de ter um TLC com os americanos foi "enterrada", pelo menos nesta gestão, depois da visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ao país, no fim do mês passado.

Em uma entrevista a jornais da América Latina, Bush também descartou a possibilidade de uma aliança de livre comércio.

Para Caetano, o objetivo americano com a visita é "colocar um freio" no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tem procurado ampliar sua influência sobre os países da região.

"Virgindade"

O presidente Vázquez, de raízes de esquerda, tentou centralizar e limitar publicamente a viagem como de interesse comercial para seu país. E declarou que seu governo é "antiimperialista".

Para Vázquez, confirmam seus assessores, o importante é ampliar a atual cota de 200 mil toneladas anuais de carne exportada para os Estados Unidos, além de tentar ampliar a venda de têxteis, arroz, softwares, derivados de leite e biocombustíveis.

Atualmente, o Brasil é o principal destino das exportações uruguaias. Mas em 2005, por questões conjunturais, como a febre aftosa no Brasil e na Argentina, o principal mercado foi Estados Unidos.

Diante das pressões dos antigos representantes da esquerda, o ministro da Agricultura, José Mujica – uma das mais conhecidas faces da velha esquerda no país -, disse que não se perde "a virgindade" por falar de comércio.

"Como ministro, tenho que estar preocupado com a geração de empregos. Mas se não fosse ministro, é claro que participaria dos protestos contra Bush."

E acrescentou: "Vai me dizer que a Venezuela vai deixar de vender petróleo para os Estados Unidos?"