09 de março, 2007 - 22h51 GMT (19h51 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou, em Buenos Aires, que Brasil e Argentina eliminarão o uso do dólar das transações comerciais a partir do dia 1º de julho.
“Significa o reconhecimento da importância das nossas moedas”, disse ele. Ao lado da ministra argentina da Economia, Felisa Miceli, Mantega acrescentou que não será mais preciso “recorrer” a uma terceira moeda – a americana – na hora das operações comerciais.
“Essas regras podem multiplicar, simplificar o comércio e reduzir os custos, porque estamos reduzindo os custos de intermediação”, declarou. “Não será necessário fazer o câmbio de real para o dólar e do dólar para o peso.”
A medida, afirmou o ministro, beneficiará inclusive as pequenas e médias empresas.
Para tentar cumprir a data de 1º de julho, informou, haverá uma reunião na semana que vem entre representantes dos bancos centrais da Argentina e do Brasil para definir como o sistema será implementado.
A idéia, batizada de “desdolarização”, foi apresentada pela Argentina ao Brasil no ano passado e conta, desde então, com a simpatia dos dois governos, como confirmou recentemente o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan.
Banco do Sul
Mantega informou também que o Brasil aceitou o “convite” da Argentina para participar da comissão que definirá, em 120 dias, como será o chamado “Banco do Sul”.
“O nome é muito bom e já está acertado, mas temos que ver qual o melhor caminho para implementar esta idéia, que pretende financiar o desenvolvimento regional”, disse o ministro.
Para o governo brasileiro, a melhor solução seria transformar algumas das instituições já existentes neste banco regional – espécie de BNDES da América do Sul, que os demais países da região, como Argentina, Paraguai e Uruguai, sócios do Brasil no Mercosul, não possuem.
Mantega sugeriu que a CAFI (Cooperação Andina de Fomento) ou o Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) recebam mais recursos dos governos associados e passem a representar o Banco do Sul.
Os governos argentino e venezuelano são mais simpáticos à iniciativa de uma nova instituição.
“O melhor é escolher um caminho mais rápido e não começar do zero, até porque já temos muitas instituições voltadas para o mesmo objetivo, o financiamento do desenvolvimento”, argumentou Mantega.
Quando perguntado sobre o que achava de o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, estar no Brasil enquanto o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está na Argentina, Mantega brincou: “Vemos é que os presidentes estão viajando muito e isso normal. É bom o turismo também”.