09 de março, 2007 - 19h07 GMT (16h07 Brasília)
Katya Adler
De Jerusalém
Um grupo de defesa dos direitos humanos acusa o Exército de Israel de usar dois adolescentes e um jovem palestino como escudos humanos durante uma recente operação na Cisjordânia.
O grupo israelense B'Tselem afirma que obteve os depoimentos de um adolescente palestino de 15 anos, seu primo de 24 anos e uma menina de 11 anos.
Os três afirmaram que os soldados os obrigaram a entrar em casas à frente dos soldados durante a operação em Nablus.
O uso de escudos humanos é proibido segundo a lei israelense e as leis internacionais. A Força de Defesa de Israel afirma que está investigando as alegações.
Buscas
O Exército israelense ocupou a Kasbah, ou Cidade Velha, em Nablus durante cinco dias no final de fevereiro alegando que estava procurando militantes palestinos e suas armas.
Soldados conduziram buscas casa a casa. Foi imposto o toque de recolher por dias a dezenas de milhares de civis palestinos.
Amid Omeira, 15 anos, disse ao B'Tselem que um grupo de soldados usou os canos de seus rifles para forçar a entrada do adolescente em várias casas, à frente dos soldados.
Seu primo de 24 anos, Samah, contou ao B'Tselem e à BBC uma experiência semelhante, assim como a adolescente Jihan Dadush, de 11 anos.
A partir dos testemunhos dos três, o B'Tselem disse que acredita que os soldados israelenses expuseram deliberadamente Samah e os dois adolescentes ao perigo, pois esperavam encontrar homens armados nas casas.
O B'Tselem acusou as autoridades militares de Israel de não informarem adequadamente os soldados a respeito das leis israelenses e internacionais que proíbem o uso de civis como escudos humanos.
O grupo B'Tselem afirma que o atraso nas investigações de supostos incidentes parecidos que ocorreram no passado sugerem condescendência na atitude do Exército em relação a soldados que usam civis desta forma.