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16 de fevereiro, 2007 - 08h01 GMT (06h01 Brasília)

Márcia Bizzotto
De Bruxelas

Belgas cruzarão Ártico a pé para reunir dados sobre clima

Dois exploradores belgas iniciarão no dia 1º de março a maior expedição já realizada pelo Ártico: percorrerão a pé mais de 4.300 quilômetros no Pólo Norte, a fim de reunir dados científicos que mostrem os efeitos da mudança climática.

Alain Hubert e Dixie Dansercoer partirão do cabo Arkishewski, na costa da Sibéria, ao norte da Rússia, em direção a Narssarssuaq, ao sul da Groelândia, em uma viagem que deverá durar quatro meses, com apenas duas paradas previstas para reabastecimento.

A rota traçada é pelo menos 2.600 quilômetros mais longa que as grandes travessias árticas concluídas até hoje.

Hubert e Dansercoer usarão esquis para se locomover sobre as terras geladas e terão a ajuda de “pipas” originalmente desenvolvidas pelo programa Apollo, da Nasa, para aproveitar os fortes ventos da região e aumentar sua velocidade.

Equipamento

Além dos ventos e de temperaturas de até 30 graus negativos, os exploradores terão que suportar a carga de 120 quilos de comida e equipamentos que cada um transportará sobre um trenó de 2,4 metros.

O equipamento está planejado para ajudar os exploradores caso sejam surpreendidos por um derretimento da capa de gelo polar.

“Há um ponto crítico no fim do oceano, logo antes de chegar à capa de gelo da Groenlândia. Não tenho idéia do que encontraremos ali”, explica Hubert.

“Mas nossos trenós são bastante longos. Se for o caso, poderemos amarrá-los juntos e fazer uma espécie de catamarã.”

Ano Polar Internacional

O começo da expedição Arco Ártico coincide com o início do Ano Polar Internacional, que será marcado por uma série de projetos sobre as regiõoes polares.

Entre outras tarefas, os belgas fornecerão medidas da capa de gelo para a Agência Espacial Européia.

Os exploradores também querem despertar a consciência de jovens entre oito e 18 anos de idade para as conseqüências das mudanças climáticas.

Para isso, estudantes de 40 países poderão seguir a evolução dos exploradores por meio da página web da Fundação Polar Internacional.