16 de janeiro, 2007 - 15h51 GMT (13h51 Brasília)
Frances Harrison
De Teerã
Um grupo de integrantes reformistas e moderados do parlamento iraniano está coletando assinaturas para intimar o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, a responder questões sobre suas políticas.
Nos últimos meses, diferentes setores da sociedade do Irã têm manifestado oposição às políticas linha-dura de Ahmadinejad.
Editoriais de jornais que tradicionalmente não fazem críticas ao presidente iraniano começaram a dizer que ele está sendo muito agressivo com o Ocidente.
Porém, é improvável que Ahmadinejad perca o cargo por causa de tais críticas.
Sanções
Após a Organização das Nações Unidas (ONU) terem aprovado uma resolução impondo sanções ao Irã por causa do programa nuclear do país, as críticas a Ahmadinejad no Irã aumentaram.
Estima-se que cerca de 50 parlamentares assinaram um documento exigindo que o presidente compareça ao Legislativo para responder a perguntas. Mas para o abaixo-assinado ter validade são necessárias 75 assinaturas.
Se o desafio for bem-sucedido ele seria inédito. No entanto, até os opositores de Ahmadinejad admitem ser difícil que ele sofra um impeachment, graças ao apoio do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
Surpreendentemente, alguns jornais de linha-dura começaram a criticar o presidente nos últimos dias, perguntando por que ele gastou tantos recursos estrangeiros e reclamando dos termos provocativos que ele emprega na questão nuclear.
Também houve críticas à conferência que Ahmadinejad organizou no mês passado, questionando o holocausto da Segunda Guerra Mundial, o que fez o Irã perder simpatia internacionalmente.
Em outra iniciativa, 150 parlamentares assinaram uma carta pedindo para que Ahmadinejad baseie seu próximo orçamento em hipóteses realistas – por exemplo, em relação aos preços futuros do petróleo, que são essenciais para as previsões econômicas no Irã.