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15 de dezembro, 2006 - 20h22 GMT (18h22 Brasília)

Mery Vaca
De La Paz

Choques deixam pelo menos 20 feridos na Bolívia

Mais de vinte pessoas ficaram feridas nesta sexta-feira em choques envolvendo simpatizantes do presidente da Bolívia, Evo Morales, e oposicionistas no Departamento (Estado) de Santa Cruz, no leste do país.

O confronto ocorreu em uma estrada próxima à cidade de Santa Cruz de La Sierra, quando os oposicionistas se dirigiam à cidade e encontraram a estrada bloqueada pelos rivais.

Embora o governo tenha confirmado que 22 ficaram feridos – a maior parte por causa de pedradas – a imprensa local diz que os feridos passam de 50.

Oposicionistas convocaram para esta sexta-feira manifestações em quatro dos nove Departamentos bolivianos - Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando - para pedir maior autonomia para essas regiões e protestar contra o governo de Morales.

Simpatizantes do presidente, por sua vez, convocaram eventos paralelos e passeatas.

Fusis

O governo acusa os oposicionistas de estar arquitetando a divisão do país com os seus pedidos de maior autonomia.

Oposicionistas e seguidores de Morales se acusam mutamente de estarem planejando atos de violência nas manifestações.

As Forças Armadas emitiram um comunicado em que revelaram o roubo de fusis e disseram que as armas poderiam ser usadas nos protestos, para que depois os militares fossem acusados de ter atirado na multidão.

A tensão na Bolívia aumentou após o dia 15 de novembro, quando o partido Movimento ao Socialismo (MAS), de Morales, decidiu que os artigos em análise em uma Assembléia que irá redigir a nova Constituição boliviana deveriam ser aprovados por maioria simples, e não por dois terços dos votos dos representantes da assembléia.

A aprovação por maioria simples beneficiaria o Governo, que poderia aprovar os artigos que quisesse sem precisar negociaciar com a oposição. A Assembéia tem 137 representantes do MAS num universo total de 255 representates.

Membros da oposição iniciaram greves de fome em repúdio à proposta do governo, mas decidiram abandonar os protestos depois que o governo prometeu rever a polêmica decisão.