13 de dezembro, 2006 - 16h37 GMT (14h37 Brasília)
Um grupo de judeus ortodoxos participou de uma polêmica conferência no Irã questionando a existência do Holocausto.
O grupo afirmou que estava participando do evento não porque questiona o genocídio nazista, mas porque é contra o uso do Holocausto para justificar a existência do Estado de Israel.
Os judeus que foram a Teerã fazem parte da corrente Neturei Karta (Guardiões da Cidade), um grupo que considera o sionismo – o movimento que defende a existência do Estado de Israel onde antes era a Palestina – um "veneno" ameaçando os "judeus de verdade".
Um membro do grupo, o rabino Aharon Cohen, baseado em Londres, disse à conferência que reza "para que a causa básica da disputa e do banho de sangue no Oriente Médio, o Estado conhecido como Israel, seja dissolvido totalmente e de forma pacífica".
No lugar do atual Estado de Israel, segundo Cohen, deveria estar "um regime totalmente de acordo com as aspirações dos palestinos onde árabes e judeus poderiam viver juntos em paz como fizeram por séculos".
O grupo Neturei Karta acredita que a própria idéia de um Estado israelense vai contra a religião judaica.
Messias
Segundo eles, o livro de lei judaica, o Talmud, ensina que os fiéis não devem usar a força humana para criar um Estado judaico antes da vinda do Messias.
Em seu discurso na conferência, Cohen disse que não há dúvidas sobre o Holocausto e que "minimizar a culpa do crime seria uma terrível afronta à memória dos que morreram".
Mas ele também afirmou que o genocídio foi um ato de Deus. "Os sionistas, com sua visão secular pomposa, se comportam da maneira oposta a essa filosofia e ousam dizer 'nunca mais'".
"Eles têm a audácia de achar que podem prevenir o todo-poderoso de repetir um Holocausto. Isso é uma heresia."
O rabino Moishe Ayre Friedman, baseado na Áustria, justificou a presença do grupo na polêmica conferência dizendo que não estava lá para debater se o Holocausto aconteceu, mas para aprender com as lições do genocídio.
Segundo Friedman, o Holocausto vem sendo usado para legitimar o sofrimento de outros povos. O rabino disse que quer acabar com o que chamou de tabu em torno da discussão do tema.
O principal, segundo ele, é o uso do Holocausto como "um instrumento de poder comercial, militar e de mídia".
Ele seu discurso no evento, ele parabenizou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por querer "um futuro seguro para os judeus inocentes na Europa e do resto no mundo”, em uma declaração que deve ser considerada ingênua por judeus de outras orientações.
O grupo Neturei Karta é condenado por outros judeus ortodoxos como um movimento extremista. O Parlamento israelense condenou a realização da conferência iraniana.