Todo ano por aqui tem um presente de Natal da moda.
Como a humanidade é triste e sem imaginação, abre-se o jornal ou a revista, liga-se a televisão, passa-se pelas vitrinas nas ruas, e lá estão as presepadas de sempre: perfumes e colônias, para senhores, senhoras e senhoritas de todos os sexos; videojogos para as crianças de todas as idades, das 8 aos 80, conforme gostam de dizer os mais tolos; e, pior que tudo, as lojas que se especializam em presentes originais.
Pior que tudo? Minto. Tem também o presente feito em casa, essa mania que os britânicos têm com o DIY (“Do it yourself”, ou “Faça você mesmo”, mal traduzindo).
Consta que a cidadã britânica média passa 288 horas fazendo compras de Natal e, evidente, gastando também uma fortuna.
Abra uma revista colorida qualquer e, lado a lado com o reclame do Chanel N.5 (“o presente que nunca sai de moda”), lá está um artigo sugerindo várias maneiras de uma dona de casa driblar o frenesi natalino.
Nada de cachecóis de cashmere a 250 dólares a estrangulada.
O negócio começa com os cartões de Natal. É para se fazer em casa e à mão, não vale computador.
Improvisar também o papel de embrulho. Esse eles não entram em detalhes. Improvisar com o quê? O jornal que publicou a matéria?
Não mandar pelo correio de primeira classe de jeito nenhum (é, aqui ainda há distinção social nos correios).
Não fazer listas ou rol: confie apenas em sua memória. Se insistir em ir de computador, entrar no site eBay para catar pechinchas, que lá as há e muitas.
Não se esqueça – dizem – que um presente feito em casa é mais valorizado do que o comprado em loja (Espalhem! Espalhem!).
Use e abuse da criatividade informática! Sim, com exclamação e banda larga!
Os detalhes não vêm ao caso. É para se deixar essa história para lá e ter em mente que o Natal vem uma vez só por ano.
Isso e o resto não querem dizer rigorosamente nada e o mais simples é fazer como eu: ir e comprar um cupom (é assim que está no Houaiss) para o presenteado trocar na livraria ou na casa de discos pelo que bem entender, contando que seja livro ou disco.
Pronto, acabou, passou o Natal. Menos um ano pra gente se chatear.
O presente ideal
No entanto, eu gosto mesmo é desse presente que vem ganhando concurso de popularidade neste final de ano: uma intervenção cirúrgica estética.
Sim, meu querido, você dá para sua mulher ou sua amante (ou para seu “melhor amigo”, se for essa a sua) um vale para um cirurgião plástico qualificado.
De preferência, que tenha diploma e consultório próprio e não esteja rachando uma vaga num escritório de corretagem de imóveis num edifício de má reputação.
Pela módica quantia de uns 12 mil dólares, a liposucção pode ser de seu ente querido, que, ao pé da árvore, ou diante da chaminé, vai dar uivos de satisfação.
Um pacote de 14 mil dólares (olhos, papada e canto da boca) inclui, como oferta grátis, uma aplicação generosa de Botox.
Um senão: Adam Searle, ex-presidente da Associação Britânica de Cirurgia Plástica e Estética, lembrou que não serão aceitas devoluções, em janeiro.