14 de dezembro, 2006 - 08h09 GMT (06h09 Brasília)
Yo Takatsuki
Espetaculares paisagens montanhosas, milhares de anos de história, um clima seco e temperado durante a maior parte do ano, comida barata e até álcool em abundância.
Se esses parecem ingredientes ideais para um feriado, talvez você deva considerar o norte do Iraque.
Poucos estrangeiros sabem, mas essa é uma região iraquiana que vem desfrutando de paz e estabilidade enquanto o resto do país está envolvido em violência.
O Curdistão iraquiano vem sendo auto-administrado pelos curdos desde 1991, após a primeira guerra do Golfo
Recorde
Depois da queda de Saddam Hussein, em 2003, a região tem prosperado, tendo recebido uma grande quantidade de negócios estrangeiros interessados em estar em território iraquiano e, ao mesmo tempo, evitando os seus perigos.
Agora, o governo da região espera começar a atrair turistas estrangeiros.
Irbil, a maior cidade do Curdistão, é vibrante e repleta de prédios novos.
No meio da cidade, no alto de uma montanha, fica a Cidadela de Irbil.
Alguns arqueologistas acreditam que esta fortaleza avermelhada é o lugar continuamente habitado há mais tempo no planeta, cerca de 8 mil anos.
As pessoas ainda vivem e trabalham lá, mas existem planos para transformá-la em uma das maiores atrações turísticas do Curdistão iraquiano.
Muitos iraquianos já passam suas férias lá.
"A cidade é realmente linda e pacífica. Não há terroristas ou bombas", diz Sami Abdul Rahman Park, morador de Bagdá que passou alguns dias em Irbil.
"Aqui temos mais liberdade para circular", diz o major americano Neil Kettering.
"As pessoas daqui não olham para nós como invasores. Eles entendem porque estamos aqui. O Curdistão é o que imaginávamos que todo o Iraque seria após a queda de Saddam."
Montanhas
Muitos acreditam, no entanto, que a destinação turística mais atraente do Curdistão iraquiano fica fora de Irbil.
As enormes montanhas que compõem o cenário da região se tornaram nas últimas décadas um destino popular para os iraquianos desejosos de escapar do intenso calor do verão.
A estrada que liga Irbil e a cidade de Suleimaniya atravessa incontáveis picos e lagos.
Os moradores locais têm um ditado que diz que "os curdos só são amigos das montanhas".
Isso pode ser um reflexo dos longos anos em que os curdos passaram combatendo o regime de Saddam.
Calcula-se que mais de 180 mil curdos foram mortos na década de 1980 durante a ação militar conhecida como a campanha de Anfal - pela qual Saddam está sendo julgado atualmente.
Segurança
Um dos estrangeiros que acreditam que o cenário pode atrair turistas é Peter Katzlberger, da Austrian Airlines.
"Em alguns anos, posso imaginar um grande potencial turístico aqui", diz ele.
"Esse é um lugar lindo. Você pode comparar as montanhas daqui com as da Europa e existem várias oportunidades para se esquiar no inverno."
A Austrian Airlines é a primeira empresa aérea internacional a operar para Irbil, com dois vôos semanais de Viena desde 11 de dezembro.
"Existe um grande desenvolvimento comercial na região. Acredito que vai acontecer o mesmo com o turismo."
As autoridades curdas apostam que outras companhias aéreas vão seguir o exemplo da empresa austríaca.
Nas proximidades do pequeno aeroporto de Irbil está sendo construído um novo terminal de grandes proporções.
Quando ele for inaugurado, em 2007, a expectativa é de que o lugar se torne um centro internacional como Dubai ou Doha.
A última vez que uma bomba explodiu em Irbil foi no verão de 2005. Ainda assim, o maior desafio para atrair turistas ao Curdistão iraquiano é convencê-los de que a região é segura.
O homem responsável por esta missão é Nimrud Baito, o ministro de Turismo do governo regional.
"Esse é um de nossos maiores problemas, porque todos pensam que a situação do Curdistão é a mesma do resto do Iraque no que diz respeito à segurança", diz ele.
"Mas é muito diferente. A segurança aqui é perfeita."
Ele reconhece que não sabe de nenhum turista estrangeiro que tenha ido ao Curdistão iraquiano.
"As grandes empresas turísticas estão começando a ver as condições de segurança. Talvez em 2007, no verão, as pessoas comecem a vir."