12 de dezembro, 2006 - 21h29 GMT (19h29 Brasília)
Assimina Vlahou
De Roma
O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse nesta terça-feira que o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmará a “inflexão centrista” que já foi demonstrada nos primeiros quatro anos de governo do petista.
“O governo de Lula é de centro-esquerda. Teve inflexão centrista no primeiro mandato, o que vai também confirmar no segundo, mas com outras características”, disse Tarso.
De acordo com o ministro, para ser considerado uma administração de esquerda, o governo teria que ser composto exclusivamente por partidos de esquerda, com programas totalmente de esquerda.
Segundo o ministro, a intenção do governo é trabalhar no segundo mandato para que o PMDB se torne um verdadeiro partido de centro, e não que o PT se transforme em partido de centro.
“É necessário que nas democracias haja partidos de esquerda fortes assim como da direita também. O Brasil nunca teve um partido centrista, toda democracia moderna deve tê-lo.”
Centro esquerda
Tarso Genro está na Itália em viagem de cinco dias, onde trata com o governo local de acordos de colaboração econômica e política. O ministro se reuniu com o chanceler Massimo d’Alema e com representantes de diversas instituições italianas.
Ele argumentou que o povo brasileiro foi muito claro nas urnas sobre sua preferência política.
“Todos os partidos da esquerda reunidos não têm maioria no Parlamento e nem têm maioria de votos no país. Aplicar um programa unicamente de esquerda seria infiel a esta representação. Minha opinião pessoal é de que o governo do presidente Lula é de centro esquerda.”
O ministro faz parte do conselho que trabalha na formação da coalizão que vai compor o novo Ministério do presidente. A primeira reunião do conselho está marcada para esta quarta-feira.
Ele negou que o PT esteja preocupado com o número de ministérios que terá no futuro governo e garantiu que o partido não vai perder peso político, mas vai continuar sendo o “eixo defensor estratégico do governo”.
“O PT não manifestou nenhuma preocupação. Ao contrário, disse ao presidente que o PMDB era bem-vindo. A coalizão não é um problema para o PT, mas uma solução”, disse Tarso.
“Ao contrário do que aconteceu no primeiro governo Lula, onde as influências foram mais de lideranças pessoais e de grupos de interesse, agora, na concepção da coalizão, é necessário que haja um mínimo de comprometimento com os partidos, com ao menos 80% de sua bancada, principalmente nos projetos que forem estratégicos para o governo.”