13 de dezembro, 2006 - 00h15 GMT (22h15 Brasília)
Marcia Carmo
Enviada especial a Santiago
A ministra da Defesa do Chile, Vivianne Blanlot, criticou as palavras do neto do general Augusto Pinochet durante o funeral do ex-ditador.
O capitão do Exército Augusto Pinochet Molina disse que o avô “salvou o Chile do marxismo”. De farda, ele ainda afirmou: “Adeus meu presidente, adeus meu general, adeus e, principalmente, muito obrigada meu avô por tudo o que você fez pelo Chile”.
Molina acrescentou: "O pior momento do meu avô foi na velhice, quando viu juízes que só queriam aparecer e anunciaram que investigavam sua família".
A mulher do general, Lucía Hiriart, de 84 anos, e a filha, Lucía, aprovavam suas palavras de longe.
O neto de Pinochet fez elogios ao regime do avô – que governou o país com mão de ferro durante 17 anos – e acrescentou: “Ele derrubou o modelo marxista que pretendia se impor aqui. Um modelo totalitário que queriam impor através das armas”.
Exército
Suas declarações foram feitas na Escola Militar, instituição do Exército chileno onde o funeral foi realizado, antes de o corpo ser levado para a cremação no cemitério Parque do Mar.
“Não é aceitável que um oficial da ativa faça um discurso público com críticas políticas e a poderes do Estado”, afirmou a ministra da Defesa, que representou o governo da presidente Michelle Bachelet na cerimônia na Escola Militar.
Para ela, a atitude do neto de Pinochet (que para alguns poderia ser o início de uma tentativa de abrir caminho na política) não corresponde a um militar.
“Espero que o Exército adote as medidas correspondentes neste caso”, afirmou a ministra.
Quando chegou à Escola Militar, a ministra recebeu algumas vaias, mas manteve-se impassível e saiu assim que a cerimônia terminou.
Prisões
No fim da tarde desta terça-feira, a polícia prendeu 30 pessoas que tinham participado da manifestação em homenagem ao ex-presidente Salvador Allende, na praça da Constituição, em frente ao palácio presidencial La Moneda.
Os manifestantes receberam jatos d´água e terminaram presos quando tentaram, segundo a polícia, fechar o trânsito na Alameda, a principal avenida da capital chilena.
No total, mais de 130 pessoas foram presas nos últimos dois dias depois da morte de Pinochet, de 91 anos, no domingo.