12 de dezembro, 2006 - 22h16 GMT (20h16 Brasília)
Angela Pimenta
De Nova York
O subsecretário de Estado americano para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, disse nesta terça-feira que chegou a hora de o governo Bush “engajar a América Latina”.
Shannon foi o principal palestrante da VI Conferência sobre América Latina, promovida hoje em Nova York pelo centro de pesquisas Americas Society/ Council of the Americas.
“O subsecretário (de Estado Nicholas) Burns já falou disso: se engajarmos (a América Latina) de uma forma inteligente, nós teremos um impacto significativo na região.”
Ao comentar a rodada de treze eleições presidenciais realizadas na região em 2006, Shannon disse que os Estados Unidos “deixaram a ideologia de lado”, acrescentando que “o que importa para a secretária (de Estado Condoleezza) Rice é o compromisso (dos líderes eleitos) com a democracia e as reformas necessárias.”
Cuba e Venezuela
Indagado sobre as relações americanas com a Venezuela, Shannon disse que os “Estados Unidos não desejam uma política de confrontação com o governo do presidente Hugo Chávez”, e que o Departamento de Estado “pretende melhorar o tom e a textura de nossa mensagem” em relação à Venezuela.
Quanto à Cuba, Shannon disse que “um novo momento está chegando – o da morte de Fidel Castro”, mas que, por enquanto, apesar da oferta do presidente em exercício de Cuba, Raúl Castro, de abertura de diálogo com o governo americano, “agora o regime cubano deve dialogar com o povo cubano”.
“Nós podemos ajudar no diálogo. Mas não acreditamos que já chegou a hora de nos engajarmos (com o governo cubano).”
Comércio
Em relação aos obstáculos que impediram a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), Shannon afirmou que os países latino-americanos se encontram rachados sobre o livre comércio.
“À exceção da Venezuela, todos os demais países estão comprometidos com o livre comércio, mas temos obstáculos em relação aos prazos (para a abertura comercial)”, disse.
Segundo o subsecretário, de um lado, os países andinos e os centro-americanos caribenhos estão mais dispostos a acelerar o processo de liberalização comercial nas Américas, enquanto os países do Mercosul reivindicam a redução dos subsídios agrícolas americanos como uma condição para facilitar o acesso aos seus mercados.
“Estamos com a agenda travada”, disse. “Ainda não encontramos um jeito mágico de remover os obstáculos.”
Perguntado sobre o que o Brasil e os Estados Unidos poderiam fazer para remover tais obstáculos em nível bilateral, Shannon disse que “ambos os países têm políticas comerciais agressivas, o que é uma coisa positiva” e que a questão deverá ser decidida no âmbito da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).