12 de dezembro, 2006 - 15h53 GMT (13h53 Brasília)
Rodrigo Durão Coelho
A crise aérea brasileira está levando algumas operadoras de turismo na Grã-Bretanha a mudarem suas rotinas para atender seus clientes.
"Todos os itinerários que planejamos e comercializamos reservam um tempo maior do que o normal para as conexões, para levar em conta atrasos e evitar a perda de vôos", diz Jenny Geal, diretora de marketing da Journey Latin America, empresa especializada em levar turistas britânicos para a América Latina.
"Temos que lidar com o problema técnico e humano", diz Jorge Mendes, proprietário da Latin American Travel Army, agência que opera no mesmo nicho.
"Por um lado temos que ter funcionários lidando com os aeroportos, mas também com a frustração do indivíduo."
"Por isso é necessário termos mais funcionários em atividade, para lidar com hotéis e clientes insatisfeitos", diz ele.
Inconveniência
Apesar da crise brasileira estar se prolongando desde o final de outubro, as agências ouvidas pela BBC Brasil não registraram uma diminuição no número de pessoas interessadas em viajar ao Brasil.
"Esse não é um assunto que recebeu muita atenção na imprensa internacional, portanto o turista que vai ao Brasil não está muito ciente do problema", diz Edward Paine, diretor da Latin American Travel Association, associação que engloba mais de 200 empresas de turismo e operadoras internacionais.
"É um problema que afeta mais os vôos nacionais do que os internacionais, então os maiores prejudicados são os turistas que se deslocam em território brasileiro e não pessoas que viajam a negócio", diz ele.
"No momento, a crise brasileira é mais uma inconveniência do que um problema mais sério para nós" diz Geal.
"É um problema difícil, porque não tem solução", diz Mendes, quando questionado sobre a possibilidade da crise chegar ao fim em um futuro próximo.
"Gostaria de pensar que as medidas anunciadas pelo governo vão surtir efeito, mas a verdade é que ninguém sabe ao certo."
"Apesar de causar um problema operacional grande, não temos outra alternativa além de recomendar que os turistas escolham ir a outro país, coisa que não queremos fazer."
Apesar de declarar que pretende continuar levando turistas ao Brasil, Mendes não descarta a possibilidade de rever esta posição, se o problema persistir.
"Somos uma empresa britânica que atende turistas britanicos. Se um de nossos produtos passa a não ser mais vendável, vamos pensar em alternativas", diz ele.