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07 de dezembro, 2006 - 10h17 GMT (08h17 Brasília)

Bush diz que vai 'levar a sério' relatório sobre Iraque

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que vai levar "muito a sério" o relatório da comissão bipartidária do Congresso americano que traçou recomendações para a política americana no Iraque.

O relatório, divulgado nesta quarta-feira, conclui que a segurança "está piorando" no país desde o início da guerra, em 2003, e alerta que o tempo para mudanças de rumo "está se esgotando".

Bush afirmou que considerará uma resposta da Casa Branca ao documento de 142 páginas, dentro de um prazo que permanece incerto e que, de acordo com o correspondente da BBC em Washington, Justin Webb, pode se estender por semanas.

O relatório do Grupo de Estudos sobre o Iraque afirma que as tropas de combate americanas poderiam deixar o país até o primeiro trimestre de 2008.

As tropas remanescentes passariam a ter como principal missão dar apoio ao Exército iraquiano, sugere o documento.

Entre as principais observações do grupo está também a sugestão de uma nova ofensiva diplomática, que incluiria negociações com o Irã e a Síria, sobre a situação geral do Oriente Médio.

Veja outras conclusões do relatório.

Encontro

O texto deve ser o principal assunto do encontro entre o presidente Bush e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que está em Washington.

O repórter da BBC Nick Robinson, que acompanha a visita de Blair, afirmou que o líder britânico deve anunciar nesta quinta-feira uma visita ao Oriente Médio, já com vistas ao acordo de paz "amplo" sugerido pelo relatório.

O roteiro de Blair incluiria Israel e os territórios palestinos, além do que funcionários do governo britânico descreveram como aliados islâmicos moderados. Eles disseram, no entanto, que o premiê britânico não visitará a Síria.

O correspondente da BBC em Damasco, Jon Leyne, afirmou que o governo sírio "mal pode disfarçar seu contentamento" com as sugestões. "Algumas seções (do documento) parece que foram escritas em Damasco", ele reportou.

O ministro da Informação Sírio, Muhsin Bilal, afirmou: "A Síria nunca interrompeu o diálogo, mas nós dizemos aos que interromperam o diálogo e agora retornam a ele: antes tarde do que nunca".

Já o governo iraniano disse que a decisão americana de retirar suas tropas do Iraque "não necessitam ser negociadas com o Irã ou qualquer país da região".

O ministro iraniano do Exterior, que está na Holanda, declarou: "Acreditamos que os dois lados da moeda no Iraque são a instabilidade, a insegurança e as atividades terroristas de um lado, e a ocupação americana do outro. A solução deve unir as duas coisas."

No entanto, o porta-voz de uma das principais organizações sunitas do Iraque – a Associação dos Acadêmicos Islâmicos – disse que o relatório "não é realista", e que atende apenas aos interesses dos Estados Unidos.

"O relatório dá mais importância aos interesses dos Estados Unidos que do Iraque", disse Muhammad Bashar al-Faydi à TV Al-Jazeera.

"Tenta criar um clima para a retirada, sem dar garantias para evitar que o Iraque caminhe para uma guerra civil."