07 de dezembro, 2006 - 14h13 GMT (12h13 Brasília)
Um tesouro histórico do Afeganistão, que as autoridades acreditavam estar desaparecido para sempre desde a época do regime do Talebã, está sendo exposto pela primeira vez - em Paris - desde que foi redescoberto 'milagrosamente' em 2004.
Trata-se de uma renomada coleção com várias peças de ouro que teriam pertencido a aristocratas que viveram há dois mil anos. O tesouro de Tilya Tepe, também conhecido como "a montanha de ouro", foi descobertos por arqueólogos russos em 1978 no norte do Afeganistão, perto do rio Oxux.
À época da deposição do Talebã, em 2001, acreditava-se que vários dos objetos haviam sido roubados ou destruídos.
Muitas jóias e estátuas dessa coleção nunca tinham sido vistas pelo público antes.
As peças foram redescobertos em 2004, depois de ficarem escondidas em cofres no palácio presidencial afegão por duas décadas.
Túmulos
A área onde os objetos foram encontrados era uma espécie de encruzilhada das rotas de comércio entre a China, Índia e o Mediterrâneo. Estas influências podem ser percebidas nos objetos expostos.
O tesouro foi encontrado nos túmulos de aristocratas nômades que morreram na época do nascimento de Cristo.
Mais de 20 mil objetos de ouro - de contas minúsculas costuradas a roupas até a coroa de uma rainha e sandálias de ouro - foram descobertos em 1978.
Em 1979, a então União Soviética invadiu o país. Com o fim da ocupação, em 89, o país mergulhou em uma guerra civil.
Para o resto do mundo o tesouro tinha desaparecido neste caos. Depois, o Museu Nacional em Cabul foi saqueado pelos mujahedin, e sofreu com o vandalismo do Talebã.
No final dos anos 90, facções tribais e, depois, o Talebã, atacaram um cofre no palácio presidencial em Cabul, tentando descobrir onde estava o tesouro. Mas as portas internas do cofre permaneceram intactas.
Poucas pessoas sabiam onde o tesouro estava. Até que, em 2004, os objetos foram descobertos escondidos em caixas simples, embaixo de pilhas de papel velho.
Milagre
Apesar de alguns dos objetos não terem sobrevivido a guerras e ao tempo, especialistas comparam a exposição dos remanescentes a um milagre. Também fazem parte da mostra objetos de marfim e vidro egípcio.
A exposição no Musée Guimet se viu ameaçada durante seu processo de planejamento. O governo afegão chegou a impedir temporariamente a saída dos objetos do país, por temer que eles pudessem ser perdidos, roubados, danificados ou copiados.
Museus do mundo todo tentaram conseguir organizar a exposição, que ao final acabou indo para o Musée Guimet, na França. O presidente francês Jacques Chirac negociou diretamente o direito de expor o acervo com seu colega afegão Hamid Karzai.
Muitos dos objetos foram cuidadosamente restaurados, e deverão ser vistos por milhares de pessoas numa turnê que a exposição fará pelo mundo. Por motivos de segurança, o tesouro não poderá ser exposto no Afeganistão.
O Musée Guimet vai tentar arrecadar, com parte da venda de ingressos, dinheiro para educação e para a construção de uma estrutura segura para o acervo histórico afegão.