05 de dezembro, 2006 - 20h32 GMT (18h32 Brasília)
Denize Bacoccina
Enviada especial a Caracas
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta terça-feira que está disposto a conversar com os Estados Unidos, mas que duvida das intenções do governo americano de aproximação entre os países.
“Se eles querem conversar com um governo de igual para igual, com respeito a nossas posições, estamos dispostos a dialogar. Mas eu duvido que o governo dos Estados Unidos seja sincero. Tenho razões bastante fortes para duvidar", disse Chávez em entrevista coletiva para a imprensa no Palácio Miraflores. "Não somos uma colônia norte-americana e nunca seremos."
“Como vamos ter relações com um governo que financiou aqui atividades conspiratórias, que financiou atividades ilegais e espionagem”, disse Chávez, que foi reeleito neste domingo, com mais de 60% dos votos, para mais seis anos de mandato.
As declarações de Chávez foram feitas poucos dias após autoridades de Washington e Caracas terem trocado declarações moderadas.
Democracia
No domingo, o subsecretário de Estado para as Américas dos Estados Unidos, Thomas Shannon, havia reconhecido que a Venezuela funciona como uma democracia e disse que seu país não quer ter uma “relação de confronto” com o governo Chávez.
No mesmo dia, o presidente venezuelano disse que via com “bons sinais” as declarações do americano.
“Não queremos uma relação de confronto com a Venezuela, pelo contrário. Sempre buscamos uma maneira de aprofundar o diálogo com o governo de Chávez e nossa esperança é que agora exista mais interesse em conseguir isso”, afirmou Shannon no domingo, em um evento em Londres.
“A Venezuela é um país democrático, é uma democracia com muitos desafios, objetivos e problemas, mas é um país democrático.”
Desde a chegada de Chávez ao poder, os Estados Unidos criticam as instituições democráticas da Venezuela. Em 2002, o governo de Washington foi acusado de apoiar uma tentativa de golpe fracassada contra Chávez.
Há três meses, Chávez chegou a comparar Bush ao diabo durante a Assembléia Geral da ONU, dizendo que a tribuna de discursos – onde Bush discursara minutos antes – “ainda cheirava a enxofre”.
Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Chávez, Nicolás Maduro, já havia comentado as declarações de Shannon.
“Em várias oportunidades o presidente Chávez deu passos nesta direção (de aproximação com os Estados Unidos), mas imediamente eles mesmo (os norte-americanos) desfazem o que tem que ser feito para estabelecer uma boa relação”, disse Maduro na segunda-feira, em Caracas.
As declarações de Chávez e Shannon repercutiram em outros escalões dos governos de Caracas e Washington.
Além de Shannon, o porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack, também disse esta semana que o governo americano espera ter uma relação positiva e construtiva com o governo venezuelano.