05 de dezembro, 2006 - 18h24 GMT (16h24 Brasília)
Paulo Cabral
Enviado especial a Beirute
O funeral nesta terça-feira do xiita Ahmad Mahmoud – morto no último domingo em Beirute, após participar de uma manifestação contra o governo do Líbano – transcorreu sem violência, mas em meio a muita indignação e mesmo algumas ameaças na capital libanesa.
O sepultamento no principal cemitério xiita da capital libanesa foi acompanhado por milhares de pessoas e ocasionalmente grupos gritavam no meio da multidão a palavra de ordem “Morte (ao primeiro-ministro) Fuad Siniora”.
A morte de Mahmoud foi um evento isolado em meio às manifestações que vem transcorrendo pacificamente, mas reforçou a determinação dos oposicionistas em conseguir a renúncia do gabinete e aumentou os temores de uma escalada violenta.
“O momento é perigoso, muito perigoso. Responsabilizo o governo e seus aliados (pela morte de Ahmad Mahmoud)”, disse o deputado pelo Hezbollah, Ali Moqdada, que acompanhava o funeral.
O irmão de Ahmad Mahmoud, Ali Hassan Mahmoud, disse que também responsabiliza os governistas – em especial o Movimento Futuro, de Saad Hariri – pela morte.
“Protesto pacífico”
“Queremos protestar pacificamente, mas eles ficam nos provocando”, disse Mahmoud.
Ele estava com Ahmad quando o irmão foi morto a tiros, quando os dois passavam por um bairro sunita depois de deixarem a manifestação oposicionista realizada nas áreas centrais da cidade.
Aparentemente não houve avanços no campo político para tentar resolver o impasse entre as lideranças libanesas.
O primeiro-ministro Fuad Siniora está no Palácio do Governo com os ministros que não renunciaram, fazendo reuniões e negociações constantes, mas aparentemente nada de concreto ainda foi atingido.
Poder
Os xiitas – liderados principalmente pelo Hezbollah – exigem uma parcela maior de poder no gabinete que lhes dê a possibilidade de vetar decisões do governo.
Mas o primeiro-ministro Fuad Siniora vem recebendo o apoio claro do Ocidente e da maioria dos paises árabes e não dá nenhum sinal de que tenha intenção de ceder às exigências e muito menos de renunciar, como que a oposição.
O Hezbollah afirma que não vai usar a violência, mas que pretende continuar aumentando a pressão, por meio de manifestações pacíficas, contra o governo de Siniora.
“Veja como Israel e o Ocidente estão preocupados em não deixar o governo de Siniora cair. Isso e uma prova de que este gabinete esta aliado a eles e não ao povo libanês”, disse um simpatizante do Hezbollah no funeral de Ahmad Mahmoud.