04 de dezembro, 2006 - 16h58 GMT (14h58 Brasília)
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, recomendou ao Parlamento a construção de uma nova geração de submarinos para carregar mísseis nucleares Trident.
Os planos incluem uma redução – de quatro para três – do número desses submarinos nucleares e uma redução em 20% do arsenal nuclear britânico.
A vida útil dos atuais mísseis Trident britânicos vai até 2024, mas ministros alertam que uma decisão de substituí-los deve ser tomada agora, para que os novos armamentos estejam prontos até lá.
Blair já afirmou que o atual arsenal – 64 mísseis instalados em quatro submarinos movidos a energia nuclear – são parte essencial do sistema britânico de defesa, e que seria "pouco sábio e perigoso" abandonar seu arsenal nuclear. Mesmo com o fim da Guerra Fria, argumenta Blair, ainda há risco de ataques à Grã-Bretanha.
Autoridades de Defesa descartaram que o arsenal nuclear seja instalado em aviões ou em terra, e negaram que o governo planeje construir as armas no exterior.
O chanceler Gordon Brown, favorito para a substituição de Blair, também já indicou ser a favor da renovação da capacidade nuclear britânica.
Divisão
Os críticos alegam os mísseis Trident, desenhados para a Guerra Fria, estão superados, e que o dinheiro que será usado para substituí-los – entre 10 e 25 bilhões de libras, o equivalente a algo entre R$ 40 e 100 bilhões – poderia ser mais bem gasto em outros setores.
O assunto tem dividido os partidos políticos.
O ex-ministro trabalhista da Defesa, Peter Kilfoyle, disse à BBC que este é um momento "muito inoportuno" para discutir a substituição dos mísseis.
"Precisamos de um debate amplo. Não precisamos nos apressar para tomar uma decisão nos próximos meses, como quer o governo", ele afirmou.
Os Liberais Democratas – a terceira maior força política do Parlamento britânico – querem tomar uma decisão apenas em 2014. O partido já afirmou que sustenta a redução pela metade no número de ogivas nucleares da Grã-Bretanha.
Já os Conservadores opinam que a Grã-Bretanha estaria fazendo uma "loucura" ao abrir mão de armas nucleares. O "ministro-paralelo" da Defesa, ou a figura da oposição responsável por fiscalizar o governo, disse que o país tem de se preocupar com sua proteção entre 2025 e 2050.
"Num mundo que está se tornando cada vez mais incerto – em que países como a Coréia do Norte e o Irã estão desenvolvendo armas nucleares – parece uma loucura realizar um desarmamento unilateral", declarou.
Os parlamentares terão três meses para discutir as sugestões de Blair.
A ativista do grupo de pressão CND, Kate Hudson, disse à BBC: "Se formos adiante com o desenvolvimento de armas nucleares, podemos estar absolutamente certos de que outros países vão ajudar na proliferação de armas nucleares, e terminaremos com uma situação de guerra nuclear."