04 de dezembro, 2006 - 21h47 GMT (19h47 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
O agravamento do estado de saúde do ex-líder do regime militar do Chile, Augusto Pinochet, intensificou o debate político no país entre os que defendem e os que rejeitam uma cerimônia com honras de ex-chefe de Estado no caso de falecimento do general.
Nesta segunda-feira, seguidores de Pinochet chegaram a trocar chutes e socos, com integrantes da Juventude Socialista, perto do Hospital Militar de Santiago, onde Pinochet está internado.
O debate sobre como seria um funeral para Pinochet já vinha gerando polêmica no Chile desde a última campanha presidencial, no ano passado.
Na ocasião, a então candidata socialista, Michelle Bachelet, disse que se sentiria “violentada” se tivesse que liderar uma homenagem no sepultamento do ex-presidente.
O pai da presidente, o general Alberto Bachelet, trabalhou para o governo do presidente Salvador Allende – derrubado por Pinochet em 1973 – e morreu na prisão após ter sido torturado. Ela e a mãe, Angela Jeria, também foram presas políticas durante os anos de Pinochet.
Na sua primeira entrevista depois de eleita, em janeiro, Bachelet voltou a falar no assunto e insinuou que o ex-líder do regime militar não receberia homenagens oficiais.
Família
Mas agora o governo parece mais cauteloso.
“É de muito mau gosto falar em funerais quando as pessoas estão vivas”, disse o porta-voz do governo atual, Ricardo Lagos Weber, filho do ex-presidente Ricardo Lagos.
De passagem por Buenos Aires, a ministra chilena da Defesa, Vivianne Blanlot, foi ainda mais cuidadosa e não descartou que ele receba homenagens depois de morto.
“Queira-se ou não, concordando ou não com ele, o general Pinochet é um personagem do país”, afirmou. Segundo ela, a família dele decidirá que tipo de cerimônia deseja.
“E eu, como ministra da Defesa, acompanharei o que também quiser o Exército”.
A ministra disse que a cerimônia oficial a Pinochet é importante para o Exército, “independentemente das diferenças sobre seu governo”.
O deputado socialista Sergio Aguiló foi um dos críticos da possibilidade de homenagens de Estado ao general, que cumpria prisão domiciliar até domingo, quando sofreu infarto do miocárdio e foi internado no Hospital Militar de Santiago.
“Espero que ninguém tenha a idéia de oferecer qualquer tipo de homenagem a uma pessoa que tem um currículo de assassino e sem-vergonha e que deveria ser condenado pelos crimes que cometeu”, disse, segundo o jornal La Tercera.
O presidente do Partido Socialista, Camilo Escalona, também pediu que Pinochet não receba atenção especial em seu sepultamento, devido ao “caráter ilícito da sua gestão”.