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02 de dezembro, 2006 - 00h52 GMT (22h52 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires

Greve de 24 horas na Bolívia transcorre sem graves incidentes

O porta-voz do governo da Bolívia, Alex Contreras, disse que a greve de 24 horas convocada pelos comitês cívicos em cinco dos nove departamentos (Estados) do país não afetou o cotidiano dos bolivianos.

“A paralisação é relativa, com adesão de empresários, mas não do comércio em geral e transportes. Diferentes setores trabalham normalmente”, afirmou.

Líderes do movimento declararam que a paralisaçao foi “forte”, principalmente em Santa Cruz de la Sierra.

Foi a segunda greve convocada pelos departamentos mais ricos do país – Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni, Pando e Cochabamba – contra as regras para aprovação da constituinte.

“Nem os cívicos e nem o governo podem mudar o artigo 71, que fixa o regulamento da assembléia constituinte”, disse o presidente em exercício, Álvaro García Linera.

O presidente Evo Morales está em Cuba, onde participa das comemorações pelos 80 anos do líder cubano Fidel Castro.

"Desrespeito"

García Linera lembrou que os que protestam querem que os temas tratados na constituinte sejam aprovados por dois terços.

“Isso é inviável. Seriam necessários três anos para se redigir a nova Constituição política do Estado.”

Com 137 representantes de um total de 255, o partido oficialista MAS não terá dificuldades, argumenta-se na oposição, para elaborar a nova Carta Magna sem a participação dos adversários do governo.

Pelas normas fixadas, os artigos serão aprovados por maioria absoluta e não pelo quórum defendido pela oposição.

Políticos que não apóiam Morales e líderes dos comitês cívicos – que reúnem profissionais e empresários e têm respaldo dos opositores – alegam que o MAS “desrespeitou” a Lei de Convocação da Assembléia.

E acham que o governo deveria anular a votação da semana passada que definiu as bases da constituinte.

Greve de fome

Nesta sexta-feira, transportes e comércio não funcionaram em Santa Cruz de la Sierra, segundo informações do comitê cívico deste departamento - o mais simbólico na queda de braço com o governo Morales.

“Parecia feriado”, afirmaram.

À noite, o prefeito (governador) de Santa Cruz, Rubén Costas, anunciou que vai aderir, segunda-feira, à greve de fome que vem sendo realizada em vários pontos do país.

Ele revelou que a dieta foi combinada com os outros prefeitos dos departamentos onde foi realizada a paralisação nesta sexta-feira.

“A decisão deste prefeito já está tomada”, afirmou, dizendo que sua iniciativa não dependia mais do restante do grupo.

Até a noite de sexta, não tinham sido registrados incidentes graves no país, de acordo com o governo Morales.