01 de dezembro, 2006 - 21h11 GMT (19h11 Brasília)
O presidente da Bolívia, Evo Morales, vem enfrentando protestos em diversas partes do país nas últimas semanas devido a algumas medidas adotadas por seu governo.
Os protestos acontecem em um momento-chave para o país, que começa a discutir uma nova Constituição, adotou a nacionalização de suas reservas de petróleo e gás e mudou as leis de reforma agrária.
Entenda os principais motivos de conflito entre governo e oposição na Bolívia:
Por que a oposição está protestando na Bolívia?
As regras para votar a Constituição são uma das principais divergências entre o governo boliviano e a oposição. O governo decidiu que a aprovação dos dispositivos da nova Constituição - em fase de elaboração - será por maioria simples, e não por dois terços dos votos.
O critério de maioria simples beneficiaria o governo, que conseguiu preencher pouco mais da metade das cadeiras da Assembléia. A oposição acusa Morales de, ao adotar esse critério, desrespeitar a Lei de Convocatória da Constituinte, aprovada em abril pelo Congresso.
O esboço do texto para votação da nova Constituição deve ser concluído até agosto de 2007.
O projeto de reforma agrária de Evo Morales, aprovado pelo Senado boliviano no último dia 29, depois de uma semana de impasse entre governo e oposição, é outro motivo de discordância. O projeto prevê a redistribuição de 20 milhões de hectares de terras consideradas improdutivas para comunidades indígenas e pobres.
A oposição rejeita ainda o projeto de lei que dá ao Congresso o poder de censurar ou destituir governadores. Atualmente, seis dos nove governadores de departamentos da Bolívia são de oposição.
Como a oposição tem se mobilizado?
A oposição vem protestando há mais de dois meses contra medidas do governo de Evo Morales. Recentemente, os oposicionistas chegaram a convocar greves de fome nos Departamentos (Estados) do país e uma greve geral.
Os protestos são comandados pelos comitês cívicos de oito dos nove Departamentos da Bolívia.
Os comitês reúnem organizações empresariais, lideranças políticas, associações, médicos, advogados e ruralistas, entre outros, e costumam ter a simpatia dos partidos de oposição.
Quem está do lado de Evo Morales?
Indígenas e pequenos agricultores apóiam a nova lei de reforma agrária. A aprovação do polêmico projeto de lei foi comemorada por uma multidão de indígenas, que marcharam a pé de diversas regiões do país até La Paz para apoiar o projeto.
Uma pesquisa de opinião do instituto Apoyo, Opinión y Mercado divulgada recentemente pela imprensa boliviana revela que a popularidade de Evo Morales subiu de 50% em outubro para 67% em novembro.