27 de novembro, 2006 - 10h14 GMT (08h14 Brasília)
Assimina Vlahou
De Roma
O papa Bento 16 chegará à Turquia nesta terça-feira para tentar reatar o diálogo com o mundo muçulmano, estremecido depois de um polêmico discurso feito na Alemanha que ofendeu parte da comunidade islâmica mundial.
Segundo o Vaticano, o papa "deseja mandar uma mensagem de amizade ao mundo muçulmano". O papa chegará a Ancara dois dias depois que cerca de 20 mil muçulmanos participaram de uma manifestação nas ruas de Istambul, para protestar contra a sua visita ao país.
Apesar dos vários protestos, o Vaticano diz que a segurança do papa não está ameaçada. "O clima não é particularmente tenso e não se deve temer pela vida do papa”, disse um porta-voz à BBC Brasil.
Manifestações
Essa será a quinta viagem ao exterior de Bento 16 e a primeira a um país de maioria muçulmana.
A manifestação de domingo foi a mais recente das várias realizadas nos últimos meses na Turquia contra a sua visita. Vários muçulmanos exigem desculpas do papa por causa de um discurso feito na Alemanha em setembro, que provocou violentas reações no mundo islâmico por ser considerado ofensivo à religião de Maomé.
Por duas vezes o papa explicou publicamente que suas palavras foram mal-interpretadas. Ele também encontrou-se com representantes do mundo muçulmano para reafirmar sua intenção de dialogar.
Mas o chefe da igreja católica não pediu desculpas, conforme queriam alguns líderes islâmicos, entre eles o chefe da igreja turca.
Por isso, esta missão do papa está sendo considerada delicada e perigosa.
Segurança
Mas o Vaticano acredita que não há ameaças à segurança do pontífice, conforme diz seu novo porta-voz, padre Federico Lombardi.
Segundo Lombardi, as manifestações na Turquia são minoritárias em um país de 70 milhões de habitantes. "O clima não é particularmente tenso e não se deve temer pela vida do papa”, disse Lombardi à BBC Brasil.
A polícia e o exército turcos vão conseguir manter a ordem, na opinião do vaticanista Luigi Accatoli.
Segundo o vaticanista, eles conhecem bem os grupos extremistas e são muito bem preparados.
Reaproximação
A viagem estava programada havia muito tempo. É um convite de Bartolomeu I, de religião ortodoxa, que é patriarca ecumênico de Constantinopla, a atual Istambul.
A reaproximação com os ortodoxos é uma prioridade do pontificado de Bento 16.
Mas o incidente provocado pelo discurso na Alemanha colocou o diálogo com o Islã em maior evidência.
"Esta viagem tem três dimensões", diz Lombardi. "O encontro com o povo turco e com o Islã, porque o papa deseja mandar uma mensagem de amizade ao mundo muçulmano. Depois, o encontro com os representantes da ortodoxia e com as comunidades católicas presentes na Turquia."
Os católicos são minoria na Turquia, com apenas 40 mil fiéis.
Segundo eles, seus direitos e liberdade não são respeitados no país.
A igreja católica não é reconhecida oficialmente. Este será um dos temas que o papa deverá abordar durante sua viagem.